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Boca de urna aponta para Parlamento dividido na Itália

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DIOGO BERCITO

ROMA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - Premiando partidos contrários ao sistema, italianos elegeram neste domingo (4) um Parlamento fracionado em que nenhuma força recebeu a maioria necessária de votos para formar um governo, segundo a pesquisa de boca de urna publicada pela rede Rai.

Mas a aliança de centro-direita chegou mais perto do que seus concorrentes e pode liderar nas próximas semanas as negociações para governar o país. A coalizão, liderada pelo ex-premiê Silvio Berlusconi, teve de 37% dos votos à Câmara. Estas eleições incluem também o Senado.

O partido mais votado individualmente foi o 5 Estrelas, um movimento de combate ao sistema criado pelo comediante Beppe Grillo: teve de 31,8% dos votos. Já o governista Partido Democrático, de centro-esquerda, teve de 19%, em uma derrota para o ex-premiê Matteo Renzi.

Os resultados finais devem ser divulgados apenas durante a tarde de segunda-feira (5).Estão na aliança de centro-direita os quatro partidos Força Itália, Liga, Irmãos da Itália e Nós com a Itália. Berlusconi, líder do Força Itália, não pode ser eleito devido a uma condenação por fraude fiscal. Seu candidato a premiê pode ser o atual presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, ou o chefe da Liga, Matteo Salvini.

Mesmo inelegível, o ex-premiê deve celebrar a sua ressurreição política depois de acusações de corrupção e de orgias com uma prostituta menor de idade.

Seu retorno, porém, enfurece parte da população. Quando Berlusconi chegou a seu local de votação em Milão, uma ativista feminista subiu na mesa e despiu os seios diante dele gritando “seu tempo passou”. Sorrindo, ele se retirou do local.

Quando os resultados forem enfim confirmados, caberá ao presidente Sergio Mattarella incumbir algum dos candidatos de tentar formar um governo, processo em que tem autonomia.

Uma das opções da centro-direita, caso seja de fato nomeada para a tarefa, é se aliar ao Partido Democrático em uma grande coalizão.

Se não funcionar, a alternativa é que o 5 Estrelas forme um governo com a Liga —a sigla nacionalista teria de desfazer sua aliança com Berlusconi. É um cenário esdrúxulo, mas possível. Os dois partidos representam metade do eleitorado.

No caso de nenhuma aliança ser travada, italianos terão de voltar às urnas. É o mesmo impasse que a Alemanha viveu nos últimos meses, após as eleições de setembro.

O deputado Alessandro di Battista, do 5 Estrelas, disse que as cifras da boca de urna eram "apoteóticas" e convidou as demais forças a negociar um governo, desde que nos termos do movimento antissistema.

As primeiras horas das eleições foram marcadas, em Roma, pela normalidade de mais um dia com as ruas tomadas pelos turistas, abarrotando ruelas e cantinas. Um chuvisco no fim da tarde afugentou os eleitores mais tardios.

A empresa de transporte Uber ofereceu corridas de graça para quem fosse votar. Mas houve uma série de imprevistos, incluindo um local de votação que convocou eleitores para votar novamente depois de as cédulas terem sido depositadas sem a presença do supervisor do colégio.

O país também registrou atrasos e filas. Ainda assim, 71% votaram —o que é facultativo. Tinham sido 75% em 2013.

Um deles foi o estudante de engenharia Matteo, 20. “Vim evitar que gente como o Matteo Salvini governe a Itália”, diz à reportagem, referindo-se ao líder da Liga. “Prefiro dar o governo de volta ao Partido Democrático, que não foi tão ruim assim…”

Esta é a primeira vez em que a Itália vota com sua nova lei eleitoral, uma mistura entre o sistema majoritário com o proporcional. Um terço dos assentos da Câmara e do Senado será ocupado de maneira majoritária, ou seja, pelo candidato que tiver o maior número de votos em sua circunscrição.

Os dois terços restantes serão entregues aos partidos proporcionalmente ao resultado nacional. O modelo confundiu eleitores e levou a erros no preenchimento das cédulas.

Foram eleitos 630 deputados e 315 senadores. Há 46 milhões de eleitores na Itália, e mais de 4 milhões puderam votar no exterior, incluindo os 400 mil italianos que moram no Brasil.

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