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Boca de urna aponta para Parlamento fragmentado na Itália

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DIOGO BERCITO

ROMA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - Italianos elegeram neste domingo (4) um Parlamento fracionado em que nenhum partido recebeu a maioria necessária de votos para formar o próximo governo, segundo uma boca de urna publicada pela rede Rai às 23h locais (19h em Brasília).

Mas a aliança de centro-direita chegou mais perto do que as demais forças e deve, nas próximas semanas, liderar as negociações para governar o país. Essa coalizão, liderada pelo ex-premiê Silvio Berlusconi, teve de 33% a 36% dos votos à Câmara. As projeções oficiais devem ser divulgadas apenas durante a madrugada.

Estão nessa aliança de centro-direita o partido de Berlusconi, chamado Força Itália, e a Liga, uma sigla de direita nacionalista. Como Berlusconi não pode ser eleito, devido a uma condenação por fraude fiscal, o candidato a premiê deve ser o atual presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani.

O partido mais votado individualmente foi o 5 Estrelas, um movimento contrário ao sistema político criado pelo comediante Beppe Grillo -teve de 29,5% a 32,5% dos votos, segundo a boca de urna. Já o governista Partido Democrático, de centro-esquerda, recebeu de 20% a 23%, em uma derrota para o ex-premiê Matteo Renzi.

Mesmo inelegível, Berlusconi é o grande vencedor deste dia e deve celebrar a sua ressurreição política depois de acusações de corrupção e de orgias com uma prostituta menor de idade.

Seu retorno, porém, enfurece parte da população. Quando o ex-premiê chegou a seu local de votação em Milão, uma ativista feminista subiu na mesa e despiu os seios diante dele gritando "você está acabado". Sorrindo, ele se retirou do local.

Quando os resultados forem enfim confirmados, caberá ao presidente Sergio Mattarella incumbir algum dos candidatos de tentar formar um governo, processo em que tem autonomia.

Uma das opções de Berlusconi, caso seja de fato nomeado para a tarefa, é se aliar ao Partido Democrático em uma grande coalizão. A julgar por declarações suas contra o 5 Estrelas, não está em discussão uma aliança com a sigla.

Caso essa saída não funcione, a alternativa aventada por analistas é que o 5 Estrelas forme um governo com a Liga, no que a sigla nacionalista teria de desfazer sua aliança com Berlusconi. É um cenário esdrúxulo, mas atualmente possível.

No caso de nenhuma aliança ser travada, italianos terão de voltar às urnas. É o mesmo impasse que a Alemanha viveu nos últimos meses, após as eleições de 24 de setembro.

As primeiras horas das eleições foram marcadas, em Roma, pela normalidade de mais um dia com as ruas tomadas pelos turistas, abarrotando ruelas e cantinas. Um chuvisco no fim da tarde afugentou os eleitores mais tardios. A empresa de transporte Uber ofereceu corridas de graça para quem ia votar.

Mas houve uma série de imprevistos, incluindo um local de votação que convocou eleitores para votar novamente depois de as cédulas terem sido desconsideradas, por serem depositadas sem a presença do supervisor do colégio. O país também registrou atrasos, filas e falhas nos registros de eleitores. Ainda assim, 73,6% votaram. O voto é facultativo.

Um deles foi o estudante de engenharia Matteo, 20. "Vim evitar que gente como o Matteo Salvini governe a Itália", diz à reportagem, referindo-se ao líder da Liga. "Prefiro dar o governo de volta ao Partido Democrático, que não foi tão ruim assim".

Esta é a primeira vez em que a Itália vota com sua nova lei eleitoral, uma mistura entre o sistema majoritário com o proporcional. Um terço dos assentos da Câmara e do Senado será ocupado de maneira majoritária, ou seja, pelo candidato que tiver o maior número de votos em sua circunscrição. Os dois terços restantes serão entregues aos partidos proporcionalmente ao resultado nacional. O modelo confundiu eleitores e levou a erros no preenchimento das cédulas.

Foram eleitos 630 deputados e 315 senadores. Há 46 milhões de eleitores na Itália, e mais de 4 milhões puderam votar no exterior, incluindo os 400 mil italianos que moram no Brasil.

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