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Sem favoritos, eleição para o Parlamento italiano poderá ter alianças insólitas

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DIOGO BERCITO

ROMA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - Em uma jornada eleitoral carregada de ansiedade, 19,4% dos italianos já tinham votado às 12h locais (às 8h em Brasília), em comparação aos 14,9% do mesmo período no pleito de 2013.

Um deles foi o ex-premiê Silvio Berlusconi, que vive neste ano sua ressurreição política após acusações de corrupção, relações com a máfia e orgias com uma prostituta menor de idade. Uma ativista feminista subiu na mesa da zona eleitoral em que Berlusconi votava em Milão e despiu os seios diante dele gritando "o tempo acabou!". "Acabou o meu tempo? Sim, efetivamente tinha terminado a fila", ele respondeu, sorrindo.

Encerrando uma campanha anedótica, este dia se estende madrugada adentro: abertas às 7h, as urnas serão fechadas às 23h (das 3h às 19h em Brasília) e apenas depois disso é que os primeiros resultados começarão a ser finalmente divulgados.

A expectativa é de que nenhum partido consiga a maioria de 40% dos assentos para formar um governo, o que significa que terão de negociar durante os próximos dias, semanas e meses. Alianças insólitas podem ter de ser travadas, como aquela entre a centro-direita e sua rival de centro-esquerda. É possível que um partido antissistema se una com a direita nacionalista.

Quando os resultados forem enfim confirmados, algo que pode acontecer apenas na tarde de segunda-feira (5), caberá ao presidente Sergio Mattarella incumbir algum dos candidatos de tentar formar um governo. Ele terá bastante autonomia nessa decisão, e não será obrigado a escolher o partido mais votado.

A alternativa provável é que Mattarella entregue a missão à coalizão de direita liderada pelo ex-premiê Silvio Berlusconi. Somados, os partidos ?incluindo a ultranacionalista Liga? têm 37,5% dos votos, segundo a estimativa Termômetro Político.

A sigla mais votada individualmente deve ser, no entanto, o antissistema Movimento 5 Estrelas, com 26,3%. O governista Partido Democrático, de centro-esquerda, deve ter só 21,3%.

A pesquisa foi realizada com 4.500 pessoas de 12 a 16 de fevereiro, e sua margem de erro não foi divulgada. Por lei, é proibido publicar sondagens a menos de 15 dias das eleições.

Uma das opções da aliança de Berlusconi é se aliar ao Partido Democrático em uma grande coalizão. Berlusconi não pode ser premiê, porque foi condenado por fraude fiscal, e se espera que o governo seja liderado pelo atual presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani -uma boa notícia a quem se  preocupa com o futuro desse bloco, diante do avanço dos populismos.

Outra alternativa seria uma aliança entre o 5 Estrelas e a Liga, no que a sigla nacionalista teria de desfazer sua aliança com Berlusconi. Seria um cenário esdrúxulo, mas agora possível.

Ambas as opções de governo são instáveis e significam que o Parlamento terá dificuldades em aprovar leis, em um país que deve crescer 1,5% neste ano e ainda deve 135% de seu PIB. No caso de nenhuma aliança funcionar, os italianos terão de voltar às urnas ?é o mesmo impasse que a Alemanha viveu  nos últimos meses, desde as eleições de setembro. Apenas neste domingo a coalizão entre os grandes partidos foi aprovada, e o governo deve ser criado nas próximas semanas.

LEI ELEITORAL

As primeiras horas das eleições foram marcadas, em Roma, pela normalidade de mais um dia com as ruas tomadas pelos turistas, abarrotando ruelas e cantinas. Mas houve uma série de imprevistos nas zonas eleitorais, incluindo uma delas que precisou convocar eleitores para votar novamente depois de as cédulas serem desconsideradas ?tinham sido depositadas sem a presença do supervisor do colégio. Em outras regiões do país houve atrasos na abertura e falhas no registro dos eleitores.

Esta é a primeira vez em que a Itália vota com sua nova lei eleitoral, uma mistura entre o sistema majoritário com o proporcional. Um terço dos assentos da Câmara e do Senado será ocupado de maneira majoritária, ou seja, pelo candidato que tiver o maior número de votos em sua circunscrição. Os dois terços restantes serão entregues às listas eleitorais proporcionalmente ao resultado nacional. É um modelo ainda não testado no país e que confunde os eleitores, levando a erros no preenchimento das cédulas em diversos dos colégios.

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Edhucca

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