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Doria encerra bolsas anticrack de Haddad

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MARIANA ZYLBERKAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Desde a campanha eleitoral de 2016, o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) costuma usar um aposto para expressar sua opinião a respeito do programa anticrack de Fernando Haddad (PT): "Braços Abertos para a Morte".

Um dos pilares do projeto será extinto a partir de 31 de março, quando 262 usuários de drogas vão deixar de receber a bolsa de R$ 500 por mês em troca de dias trabalhados em serviços como varrição de ruas, jardinagem e reciclagem. Além da bolsa, os usuários têm direito a moradia em hotéis mantidos pela prefeitura e alimentação.

A política de redução de danos (não exige abstinência dos usuários) e as vagas em hotéis (que estão sendo fechados aos poucos) são outras duas bases que ainda seguem do programa instituído em 2014 por Haddad para tratar dependentes químicos na região da cracolândia.

Alvo de críticas, a iniciativa de remunerar os usuários sem exigir abstinência também já foi atacada abertamente pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Após a ação policial que desmantelou a feira de drogas na cracolândia, em maio de 2017, ele disse que se "estava dando mesada para as pessoas comprarem droga".

De acordo com a secretária municipal do Trabalho, Aline Cardoso, o fim da remuneração será precedida por uma nova política de trabalho no âmbito do Redenção, programa da gestão Doria para tratar de dependentes químicos em situação de rua.

"Não existia preocupação com a autonomia. Era um investimento sem resultados."

O psiquiatra Dartiu Xavier, ex-coordenador do Braços Abertos, criticou as mudanças: "com esse modelo o problema não é resolvido. Tem que tratar também a exclusão social. É ridículo dizer que o programa continua".

O destino dos 263 usuários que continuam no programa é variado. A maioria, 118, por ter frequência menor do que 50% nas ocupações não será direcionada para o Trabalho Novo, uma parceria da prefeitura com empresas privadas para empregar moradores de rua, diferente dos que compareceram mais vezes aos compromissos. "Eles vão ser acompanhados por equipes de saúde e assistência social. Alguns têm consumo de droga por até sete dias por semana", diz a secretária.

TRABALHO NOVO

Mesmo os que apresentam um grau de adição menor tendem a não se adaptar às exigências do mercado de trabalho de forma imediata. De acordo com a Adesaf (Associação de Desenvolvimento Econômico e Social às Famílias), gestora do contrato com a prefeitura para a política de trabalho do Braços Abertos, dos 63 beneficiários que foram convocados para participar do programa Trabalho Novo, apenas 11 foram escolhidos para processos de seleção. Dos quatro contratados, nenhum passou no período de experiência. "A maioria não tem o padrão exigido", diz Fernanda Gouveia, diretora da Adesaf.

Nas próximas semanas um edital irá determinar o novo modelo de ocupação. Os usuários vão participar de um processo de capacitação profissional por 20 horas semanais durante seis meses. Neste período, a prefeitura espera que eles se tornem aptos a disputar uma vaga de emprego. "Vão ter obrigações porque assim exige o mercado de trabalho", diz a secretária. Usuários do Braços Abertos se reuniram com o Ministério Público para debater as mudanças. "Não há uma transição efetiva entre programas", diz a diretora da Adesaf.

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