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Em fala ao Congresso, Macri diz não haver atalhos para melhora econômica

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SYLVIA COLOMBO

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O presidente argentino, Mauricio Macri, abriu o ano de atividades do Congresso nesta quinta (1º) com um discurso conciliador, em que abordou de modo cauteloso as reformas, justificou o gradualismo dos aumentos de tarifas e a retirada de subsídios e agradeceu a paciência dos que entendem "que as melhoras econômicas tomam tempo, e que não há atalhos".

Sobre o tema mais polêmico da semana, desatado pelo próprio presidente na última sexta-feira (23) ao pedir que o Congresso avançasse nas discussões sobre um projeto de lei acerca do aborto, disse: "Vocês sabem que sempre fui a favor da vida, mas não posso me esquivar de estimular que tenhamos um debate responsável com relação a esse tema tão sensível e que precisa ser abordado".

O discurso durou 42 minutos e, apesar de moderado, foi bastante aplaudido. Diferentemente do que se viu nos dois anteriores (este é o terceiro ano de mandato de Macri), não houve interrupções com insultos nem vaias da bancada oposicionista. O máximo de discordância foi a exibição de alguns cartazes por parte de deputados de esquerda e do kirchnerismo contra a inflação e outros temas pontuais.

O tom contido, com a intenção de não causar maiores fricções com setores que estão descontentes com a situação econômica, foi uma recomendação de seu guru de imagem, o equatoriano Jaime Durán Barba, que vem estimulando que Macri faça gestos conciliatórios às bancadas rivais, à centro-esquerda e à sociedade. Isso por conta da queda de popularidade que vem sendo registrada em diversas pesquisas.

O discurso começou, por exemplo, com uma homenagem às vítimas do desaparecimento do submarino ARA San Juan, em novembro passado. "Não vamos deixar de buscá-lo, e este é meu compromisso com os familiares das vítimas."

ECONOMIA

Sobre a política econômica, o presidente disse estar confiante de que a inflação se acomode na meta estipulada pelo governo -ou seja, caia dos 24% com que fechou 2017 para os 15% previstos pela equipe econômica.

Acrescentou que vem recebendo críticas de dois lados.

"Em um, estão os que gostariam de uma política de ajuste de choque, repentina, aumentando preços de uma só vez. Mas eu fui eleito com a responsabilidade de acabar com a pobreza, e essa medida teria impacto negativo nas cifras atuais", afirmou. A pobreza argentina é estimada em 30%, segundo dados oficiais.

"Por outro lado", seguiu o presidente, "estão os que acham que os ajustes não devem ser feitos de modo algum. Mas se não fizermos nada, corremos o risco de ir pelo caminho de um país irmão que vem em decomposição", disse, referindo-se à Venezuela, porém sem mencioná-la diretamente.

Afirmou que o alto endividamento do Estado preocupa, mas prometeu que diminuirá em 2018 -as dívidas vêm sendo contraídas para suplantar o déficit de orçamento do país e pagar os ainda excessivos gastos sociais do Estado.

Sobre a reforma trabalhista, que foi obrigado a adiar por conta da alta pressão dos sindicatos, disse que estava disposto a que fosse debatida em partes.

"Mas não podemos esquecer que estamos vivendo num mundo em que o trabalho está mudando, e que tentar resistir seria um erro."

Macri afirmou, ainda, que o ano será de luta contra a informalidade. Por isso, entre outras coisas, será reduzida a carga tributária de empresas, para que contratem mais trabalhadores com carteira assinada. "Hoje, temos um de cada três trabalhadores argentinos na informalidade."

Também, num aceno a demandas progressistas, disse que lutará para que "se acabe essa situação absurda em que mulheres ganhem menos do que homens". Neste momento, voltou a ser muito aplaudido.

Na área de segurança, reforçou o que já vinha dizendo sobre o novo Código Penal, cujo objetivo será "proteger mais as ações dos integrantes das forças de segurança para que atuem com firmeza contra a delinquência e o narcotráfico", além de aumentar penas para determinados crimes.

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