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Trump recua e cogita controle de armas

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ESTELITA HASS CARAZZAI

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou em reunião com congressistas nesta quarta (28) que está disposto a apoiar leis que ampliem o controle de armas no país, apesar da oposição de políticos e lobistas americanos.

A declaração surpreendeu críticos e aliados e contradiz o que o republicano vinha dizendo desde a chacina em uma escola na Flórida, dia 14.

Entre as sugestões expostas por Trump, estão o aumento da idade mínima para comprar armas, o reforço da checagem de histórico e um sistema de classificação indicativa para videogames.

"Vocês têm medo da NRA", afirmou Trump aos congressistas, em referência à Associação Nacional do Rifle, maior lobby pró-armas do país e tradicional patrocinador de campanhas eleitorais. "Eu não ligo para quem sustenta vocês. Vocês serão mais populares se fizerem algo."

A reunião foi acompanhada pela imprensa e transmitida ao vivo por alguns canais de TV. Os congressistas convidados pela Casa Branca para debater o tema pareciam perplexos e se entreolhavam.

Trump chegou a afirmar que alguns legisladores estão "petrificados" pela NRA --que, na semana passada, foi elogiada pelo presidente.

Ele repetiu que os membros da associação, que argumentam que o direito ao porte de armas faz parte das liberdades individuais garantidas pela Constituição dos EUA, amam o país, mas afirmou que "nem sempre é preciso concordar com eles".

O republicano citou seu filho, Barron, 11, como um motivo para que os congressistas façam mais para proteger as crianças e defendeu a produção de estudos sobre a violência com armas de fogo.

O presidente sinalizou que deve assinar uma ordem executiva para proibir a venda de dispositivos que aceleram o disparo de armas comuns.

LOJA DE ARMAS

As declarações ocorrem em meio a uma pressão pública inédita contra empresas e políticos americanos para aumentar o controle à venda e ao porte de armas -movimento que começou com os sobreviventes da chacina na escola Marjory Stoneman Douglas, na Flórida, que deixou 17 mortos dia 14.

Os estudantes, que voltaram às aulas nesta quarta (28), têm pressionado empresas como FedEx e Delta Airlines a romper com a NRA. Em alguns casos, com sucesso.

Também nesta quarta, uma das maiores lojas de material esportivos do país, a Dick's Sporting Goods, anunciou que não irá mais vender fuzis nem pentes de alta capacidade e que suspenderá a venda de todo tipo de arma para menores de 21 anos.

"Quando vimos o que as crianças estão passando, o luto dos parentes e as crianças mortas, sentimos que tínhamos que fazer algo", disse o presidente da companhia, Ed Stack, à TV ABC.

A empresa descobriu que vendeu uma arma a Nikolas Cruz, 19, acusado da chacina na Flórida. O equipamento não foi comprado ilegalmente, nem foi usado no ataque --realizado com um fuzil semiautomático do tipo AR-15, cuja venda na rede de lojas está suspensa desde 2012.

Em visita a uma das lojas da rede na Virgínia, a única mudança vista pela Folha foi um cartaz informando as vendas para maiores de 21.

"Foi um grande mal-entendido", lamentava um funcionário. "Com certeza. Vocês têm minha solidariedade; é uma pena que isso esteja acontecendo", respondeu uma cliente que comprava um spray de pimenta.

As armas ficam no canto, sob um grande letreiro de "caça". São dezenas de espingardas, revólveres, cartuchos, alvos e acessórios.

Há armas cor-de-rosa para mulheres; outras com equipamentos de mira; outras em liquidação, por até metade do preço. Pelo chão, há caixas de cartuchos e munições.

"Nós defendemos e respeitamos a Segunda Emenda [à Constituição] e reconhecemos que a maioria dos donos de armas neste país é responsável e segue a lei", declarou a empresa em comunicado.

"Mas temos que resolver o problema que está na nossa frente. A violência das armas é uma epidemia."

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