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Tempo de intervenção é insuficiente para atingir causas da violência, diz comandante Exército

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GUSTAVO URIBE, MARINA DIAS E RUBENS VALENTE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, disse nesta terça-feira (27) que o tempo previsto para a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro, de nove meses, é "insuficiente" para atingir as causas da violência no Rio. O general falou a jornalistas após a solenidade de posse do novo ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann.

"Esse tempo [nove meses] é insuficiente para que se possa atingir com profundidade as causas que levaram a esse estado de coisas. É um trabalho que certamente necessitará de prosseguimento e e agora, com a criação do Ministério da Segurança, creio que estão sendo promovidas condições estruturais para que isso aconteça." O comandante disse que o novo ministério era necessário "porque todo o combate à criminalidade no Brasil carece de um mínimo de integração e de parâmetros".

Em resposta a uma jornalista que indagou se poderia haver uma "carnificina" no Rio gerada por confrontos entre militares e organizações criminosas com armas pesadas, o general respondeu: "Esse risco sempre existe, por isso são tomadas medidas muito estreitas no que a gente estabelece e chama de regras de engajamento. Cada militar sabe exatamente como deve se portar em situações eventuais para evitar exatamente atingir a população."

Para Villas  Bôas, a intervenção federal na segurança pública terá duas grandes áreas de interesse como objetivo dos militares. "Nós temos dois centros de gravidade a atingir: primeiro é melhorar a percepção de segurança da população, população está até acuada. E para isso é necessária a presença da polícia na rua. O segundo centro de gravidade é o do crime organizado. Para isso vamos precisar inteligência, resposta imediata, comando e controle, mobilidade e o apoio, como eu disse, dos órgãos do Judiciário."

O comandante disse que entidades de defesa de direitos humanos são "bem-vindas" na fiscalização da atividade dos militares para evitar crimes contra os direitos humanos.

"Eventuais preocupações que surjam em relação ao tratamento com a população, respeito aos direitos humanos, nós damos muito boas vindas a todos os órgãos, na área de direitos humanos, advocacia, e a imprensa, que quiserem se juntar a nós para estar presente e verificar o nosso 'modus operandi'. 'Modus operandi' consolidado já há 13 anos no Haiti, ocupações da Favela do Alemão, da favela da Maré, com zero índice de efeitos colaterais no que diz respeito aos crimes [aos direitos] humanos ou à população."

Sobre a escolha de um militar para a chefia interina do Ministério da Defesa -que recaiu sobre o general Silva e Luna, ex-secretário executivo da pasta-, o que ocorre pela primeira vez desde a criação da pasta, nos anos 90, o general disse que há apoio "unânime" entre os militares. Ele reconheceu que foi quebrado um paradigma.

"É uma quebra de paradigma, um paradigma, diga-se, injustificável, porque é um cargo de natureza civil que pode ser ocupado por uma pessoa oriunda de qualquer instituição, tanto que nós tivemos dois embaixadores [como ministros da Defesa]. E  o que conta, o que é importante, é o espírito patriótico, a enorme experiência que ele tem, a capacidade. Silva e Luna é um grande articulador, tem um largo trânsito no Esplanada, tem uma boa articulação com o Palácio do Planalto. São as condições importantes, necessárias."

Indagado se a interinidade de Silva e Luna deverá redundar na efetivação do general no cargo, o comandante confirmou: "Me estranhou um pouco a questão da interinidade, mas me parece que assim estão sendo considerados todos os ministros nomeados por agora até que haja a reforma ministerial de março e aí se efetivem todos os ministros".

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