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Brunno, da dupla com Santone, lança carreira solo e assume bissexualidade

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Migrar de um ritmo musical para outro, abandonando um público e um mercado em consolidação, não é tarefa simples. Fazer isso ao mesmo tempo em que se assume ser bissexual torna a situação um tanto mais delicada. Pois foi este o desafio que o cantor Brunno Hernandez, 27, topou enfrentar quando saiu da dupla sertaneja em que estava há quatro anos.

"Incômodo. Foi o que eu senti. Eu não me sentia inserido onde estava e via que as coisas estavam crescendo, mas não de uma maneira que me satisfizesse com quem eu era, com quem eu sou", disse o cantor à reportagem.

Natural de São Paulo, Brunno Hernandez começou a carreira artística ainda jovem: formou-se em artes cênicas, trabalhou em peças teatrais e musicais até que formou a dupla com Santone. A empreitada indicava um caminho certo, mas "uma inquietude bateu" em Hernandez.

Para entrar no eixo com a própria identidade, o paulistano resolveu dar um "reset" em sua carreira profissional. Na última quinta-feira (22), o cantor lançou sua primeira música solo, em estilo pop, com direito a beijo na boca da YouTuber transsexual Thiessa Woinback. A música se chama "Censura" e, como o nome deixa claro, sugere o que o cantor estava sentindo.

"O nome significa que as pessoas podem ser quem são. Entre quatro paredes só diz respeito a elas. 'O resto, a gente censura'. Sabe, essa coisa de poder ser quem eu sou sem pensar muito no que os outros vão dizer?", explicou.

ESTRANHAMENTO E PRECONCEITO

Essa mudança toda, porém, assustou tanto fãs quanto familiares. "No mundo do sertanejo há uma pressão para que se desempenhe um papel de homem ideal ou de galã. Então tem gente que estranha, tem gente que não gosta", comentou, em relação a alguns seguidores nas redes.

No que tange à família, Hernandez afirmou que poucos sabiam da sua orientação. "Eram uma coisa minha. Só hoje eu já recebi umas três ou quatro mensagens de tias perguntando 'Bruno, eu vi uma notícia aqui, é verdade?' ", comentou, rindo.

O cantor disse, ainda, que sente haver um "tabu forte" sobre a bissexualidade. "As pessoas veem muito o lado sexual, de um jeito promíscuo. Não entendem que há mais do que uma forma de atração", explica.

Embora tenha virado a página na questão da sexualidade, no caso da música, Hernandez garantiu que não está em um caminho sem voltas. "O sertanejo continua inserido na minha vida. Apenas expandi a minha visão musical, trazendo elementos do pop e do Reggaeton."

Três dias após o lançamento, o clipe "Censura", produzido por KondZilla, tem pouco mais de 400 mil visualizações e 34 mil likes.

ARTHUR CAGLIARI

SÃO PAULO. SP (FOLHAPRESS) - 


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