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Polícia Militar do Rio tem estrutura caótica

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ROGÉRIO PAGNAN E DANILO VERPA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Na tarde de domingo (18), com cores desbotadas, um Voyage da Polícia Militar do Rio parou em frente ao portão do 9º Batalhão da PM em Honório Gurgel, na zona norte da capital fluminense.

Dentro do quartel, de uma cabine sem vidros, um sargento mal-humorado iniciou a liberação do acesso de uma forma primitiva: agarrou a ponta de um barbante pendurado ao seu lado e começou a puxá-lo, como um pescador, para mover o portão de metal amarrado na outra ponta.

O carro da PM avançou no pátio, e o policial conseguiu, com uma fisgada no barbante, fazer o portão bater violentamente e, em reação ao choque, voltar, em sentido contrário, para onde estava.

A cena, aparentemente banal e presenciada pela Folha, é um retrato da situação de penúria da PM fluminense e do risco que vivem os policiais no exercício da profissão, tanto nos veículos quanto nos quartéis. Também revela a fragilidade das unidades da polícia em tempos de alta tensão e com uma onda de ataques a PMs desde o ano passado.

Neste 9º batalhão, além do dispositivo de abertura, chama a atenção a guarita sem vidros (quanto mais blindados) que não protegem o policial nem sequer de uma chuva.

E se chover?, questionou a reportagem ao policial. "Vou lá para baixo", respondeu o sargento, irritado. "Lá para baixo" era uma referência dele a uma parte coberta do quartel, onde havia espalhados móveis, entre beliches e armários de aço, secando desde a última enchente.

UNIFORMES

Já no 41º batalhão, Colégio, também zona norte, além da fragilidade da segurança do prédio (com os portões sem cancelas), chama a atenção o cemitério de veículos da corporação no fundo do terreno do quartel. São carros que entraram ali por alguma falha mecânica e nunca mais saíram de lá.

Outra realidade encontrada nos efetivos do Rio são os uniformes mal alinhados, com muitos anos de uso, e incompletos. Ao contrário da maioria das polícias, raramente usam coberturas, como bonés ou quepes.

De acordo com oficiais da PM do Rio ouvidos pela reportagem, no ano passado a corregedoria da corporação tentou incentivar o uso do uniforme completo com uma fiscalização, mas a atitude para tentar resgatar a imagem do PM do Rio sofreu resistência.

Outro exemplo da fragilidade dos quartéis da PM foi presenciada pela reportagem no 16º batalhão, em Olaria, também na zona norte.

O motorista de aplicativo de transporte que levava a reportagem ao local entrou abruptamente com seu carro pelo portão do principal do batalhão. A manobra do Logan de vidros com películas escuras, porém, em nada mudou o semblante do sentinela do batalhão. Permaneceu imóvel ao lado de sua arma, mesmo diante de um movimento brusco de um carro já dentro daquela unidade próxima ao Complexo do Alemão.

cortiço

Em 2010, a Folha de S.Paulo esteve neste mesmo prédio da PM. Naquela oportunidade, encontrou um cenário de abandono. Parecia um grande cortiço, com chão de cimento desnivelado, pedaços de madeira que escoravam paredes úmidas e várias gambiarras.

Agora, os PMs do local disseram que a situação mudou de lá para cá, com troca das janelas antigas (agora são novas e de alumínio), além da colocação de pisos no chão.

Os oficiais de plantão não permitiram, porém, o acesso da reportagem ao interior do prédio. Na guarita principal, era possível ver jornais grudados no vidro e usados como cortina contra o sol.

Como mostrou a Folha de S.Paulo nesta quinta (22), o Exército definiu que, além de reduzir os índices de violência, a recuperação da estrutura da polícia do Rio será uma missão no período da intervenção federal na segurança pública no Estado, com a compra de armas e carros para atender à antiga queixa de falta de estrutura.

O general Walter Braga Netto, nomeado pelo presidente Michel Temer (MDB), pretende utilizar os quase dez meses no comando da segurança para restabelecer a capacidade operativa da polícia e não só mudar equipes e estratégias de combate à criminalidade.

Essa é uma reivindicação antiga da cúpula da segurança do Rio, que vinha esbarrando na redução de verbas. A última compra de carros pela PM ocorreu em 2014, mas os militares esperam herdar até abril os resultados de um pregão eletrônico para adquirir 290 veículos. Hoje, mais de metade da frota de veículos da PM está fora de circulação, e já houve flagrante de carros empurrados por militares.

A situação dos veículos em uso pela corporação é caótica. Na tarde desta quinta (22), a Folha encontrou um desses veículos parados em uma via de acesso à zona norte.

Um pneu dianteiro do carro da PM havia estourado e o veículo ficou ali no aguardo de ajuda, já que não tinha macaco no porta-malas.

O estepe era um pouco melhor do que o furado, este careca e com arames à mostra.

O socorro foi prestado por um sargento de folga que passava pelo local. Além de emprestar equipamento para suspender o carro, ainda teve de ajudar a apoiá-lo para que não tombasse, já que o local de encaixe do macaco na lataria estava podre.

O veículo também chamava a atenção em ter o para-choque dianteiro amarrado com arrame. Segundo os dois PMs, aquele veículo era considerado em "médio" estado de conservação, se comparado com o restante da frota.

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Edhucca

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