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Flávio Tolezani diz que final de Vinícius em 'O Outro Lado do Paraíso' foi como queria

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SARAH MOTA RESENDE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A atual novela da faixa das 21 horas da Globo, "O Outro Lado do Paraíso", chegou com a promessa de dar voz a mulheres abusadas. Um homem que bate na esposa, uma negra subestimada pela cor da pele, uma anã que vive sob olhares de preconceito.

Mas nenhuma dessas tramas, -incluindo a história da mocinha Clara, vivida por Bianca Bin que, após apanhar do marido, foi parar num manicômio-, chamou mais a atenção do público do que o enredo envolvendo o pedófilo Vinicius, papel que coube a Flávio Tolezani, e a enteada Laura, interpretado por Bella Piero.

Com o folhetim entrando na sua reta final, a cena desta terça (20), em que o delegado Vinicius é condenado e vai preso, bateu recorde de audiência desde que a novela estreou, em outubro de 2017. Em São Paulo, o capítulo marcou 46 pontos. No Rio, o número subiu para 48.

A cena repercutiu tanto que até famosos como a apresentadora Fernanda Gentil -que ainda admitiu nunca ter assistido à trama antes- teceram comentários nas redes sociais.

"Me sinto grata pela prestação de serviço que esse elenco fez com essa cena do julgamento do Vinicius. Pais, mães, responsáveis em geral: nós precisamos ouvir nossas crianças", escreveu a artista em longo texto publicado no Instagram.

Nesta quarta (21), o público começou a ver o desfecho do criminoso que, na cadeia, após descumprir orientações, sai da cela para um banho de sol. Ele então se envolve com outros detentos e acaba caindo no chão, esfaqueado, agonizando até a morte.

P. - Como você compôs esse personagem, a partir do que o Walcyr te passou quando você foi escalado?

FLÁVIO TOLEZANI - A composição do Vinicius começou lá atrás, desde que eu fui chamado. A gente conversou: eu, Maurinho, Lipe e Walcyr. O ponto de partida era: ele é um psicopata. Então muito material foi trazido pela direção. E a partir daí, toda minha pesquisa em cima disso: a psicopatia e personagens históricos, criminosos famosos. A maioria dos psicopatas estudados que a gente tem conhecimento são assassinos, mas o comportamento é o mesmo, então a gente pode se basear nesses caras. E aí a pesquisa foi muito feita em cima disso. É uma coisa muito clara pra gente é que o psicopata tem um comportamento social comum, normal. Aparentemente ele é um cara normal, como qualquer outro. Então, o ponto de partida, além de ser um psicopata, é como é um psicopata no dia a dia: ninguém percebe o que ele é, o que ele faz. É tudo muito escondido, muito planejado.

P. - Qual foi a sua maior dificuldade?

FT - Acho que a maior dificuldade foi fazer esse cara tão diferente de mim. E, por outro lado, isso é o maior prazer, o maior desafio para um ator é poder trabalhar e fuçar numa coisa completamente distante do que você é na vida real. Trabalhar isso nas cenas trazia uma carga. Não é fácil. Por mais que seja um personagem, por mais que não seja eu, algumas cenas mexeram muito. Tinha um desgaste, um desgate físico nos finais das cenas.

P. - Você já sabia sobre o fim trágico dele desde o início da trama?

FT - Não, eu não sabia. Não sei nem se estava nos planos do Walcyr. Mas a partir de certo momento da trama, eu percebi que não tinha outra possibilidade. Até o momento que o Maurinho veio falar comigo e a Bruna Bueno também, e confirmaram que era isso. Então, sim, isso foi me passado antes do texto chegar, mas eu já imaginava. Já era esperado isso por mim, sim, mas no começo isso não foi dito, não.

P. - Como está sendo a repercussão nas ruas? As pessoas te xingam?

FT - Não, por enquanto não tive nenhuma experiência assim [risos]. E acho que não vai acontecer, não. A repercussão é muito boa. Muito boa mesmo. Eu tenho recebido carinhos, elogios. Era uma preocupação e é ainda, sim. Não só minha como da direção, da empresa. Isso pode acarretar algum tipo de reação nas pessoas, mas eu não tive nada disso. Está tudo muito tranquilo e bom, e eu estou muito feliz com o retorno.

P. - Como você acha que pedófilos devem ser condenados?

FT - Não tem outra alternativa, eles têm que ser punidos. Eles têm que ser condenados e responder criminalmente a tudo que lhes cabe. Para mim, se não é o crime mais absurdo, que demandaria a maior pena de todos, é um dos mais. É tão inaceitável a atitude de um pedófilo que deveria, sim, ser a maior das penas. Então eu acho que é isso, o que cabe a nossa instituição: cadeia. Eu queria que o Vinicius terminasse exatamente dessa forma, que eu acho que é pra onde um pedófilo deve ir: ele tem que ser condenado, ser afastado da sociedade e tem que cumprir sua pena. Não vou entrar em na questão de como são nossos presídios, se eles realmente cumpririam a questão de devolver o cidadão pra sociedade, mas o correto é isso: pagar e cumprir sua pena, assim como o Vinicius. Independente da morte dele, que é uma coisa da dramaturgia, que também é uma justiça do sistema prisional. Eles têm a sua própria justiça lá dentro. Isso acontece na dramaturgia, acontece na vida real, mas não é o certo. Ele [um pedófilo] deveria cumprir sua pena, o Vinicius também. Mas, dramaturgicamente, é um final excelente para o Vinicius.

P. - O que vai fazer com o fim das gravações? Já tem outro trabalho engatado?

FT - Agora, com o fim das minhas cenas na novela, eu continuo com o espetáculo "Carmen", que acaba a temporada neste fim de semana no MASP, em São Paulo. Mas já temos outras coisas previstas, como viagens e outras temporadas. Então, por enquanto, meu foco  es tá nessa produção, nesse espetáculo. Não tenho pensado em outras coisas, estou com a cabeça muito focada nisso.

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