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São Paulo, Minas e Espírito Santo fazem estratégias de segurança após intervenção no Rio

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GUILHERME SETO E ROGÉRIO PAGNAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os Estados de São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais articulam estratégias conjuntas de segurança pública para evitarem possíveis efeitos colaterais decorrentes da intervenção federal no Rio de Janeiro.

Os secretários de Segurança dos três Estados e o ministro da Justiça, Torquato Jardim, vão se reunir na capital paulista na manhã desta quinta-feira (22) para discutir planos de colaboração. À reportagem, o secretário de Segurança do Espírito Santo, André Garcia, disse que a preocupação maior é a de que modalidades de crimes que acontecem mais no Rio de Janeiro passem a se espalhar para territórios vizinhos.

"É uma necessidade de termos informações. Não acho provável que a migração aconteça da forma que as pessoas imaginam o sujeito pegar a mochila e sair do Estado. Mas é possível que haja migração de modalidades criminosas, algumas ocorrências que acontecem com mais incidência no território [do Rio] podem passar a acontecer além-divisas", disse, citando "roubo de cargas" e "explosões de caixas eletrônicos" como exemplos.

Na quinta-feira (15), três agências bancárias em Cunha, na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro, foram vítimas de ações de criminosos que a polícia suspeita que tenham sede no Estado que agora passa por intervenção.

A reunião, convocada pelo secretário de Segurança de Minas Gerais, Sérgio Menezes, tem como objetivo ter um panorama das operações da intervenção, apresentar nossos planejamentos e estabelecer um fluxo em tempo real de informações e de inteligência [com o governo federal], diz Garcia.

No Espírito Santo, será feito monitoramento de 198 quilômetros de divisas com Estados vizinhos por meio da utilização de drones, helicópteros e com reforço de efetivo militar. Serão estabelecidos oito pontos de bloqueio nessas áreas a partir desta sexta (22). A operação deve durar pelo menos dois meses.

O secretário de Segurança de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho, adotou postura mais reticente ao comentar as medidas.

Não há nenhuma preocupação extraordinária. É mais uma troca de ideias e uma interação entre nós, disse.

O secretário afirmou ainda que algumas operações serão feitas, mas nada que atrapalhe a vida da população.

Segundo a reportagem apurou, a Polícia Militar está preparada para eventual acionamento com a utilização de ao menos dois batalhões da capital e interior. Eventuais acionamentos dependerão da reunião desta quinta e solicitação do secretário.

Entre Ubatuba e Paraty, cidades que marcam a divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro, a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal lançaram a Operação Rochedo, que consiste no aumento de bloqueios de carros na região, que se repetirão diariamente.

Em Minas Gerais, o coronel Helbert Figueiró de Lourdes, comandante-geral da PM, tem falado em reações enérgicas em caso de possível entrada de criminosos.

Não permitiremos a migração da criminalidade para cá. Daremos a resposta com a força legal e necessária (...) Todo o plano já está formatado. São estratégias operacionais que a gente não pode detalhar, mas o cidadão mineiro, sobretudo o da região da divisa com o Rio de Janeiro, pode ficar tranquilo, disse na segunda-feira (19).

COLAPSO

O Rio de Janeiro passa por uma grave crise política e econômica, com reflexos diretos na segurança pública. Desde junho de 2016, o Estado está em situação de calamidade pública e conta com o auxílio das Forças Armadas desde setembro do ano passado.

Não há recursos para pagar servidores e para contratar PMs aprovados em concurso. Policiais trabalham com armamento obsoleto e sem combustível para o carro das corporações. Faltam equipamentos como coletes e munição.

A falta de estrutura atinge em cheio o moral da tropa policial e torna os agentes vítimas da criminalidade. Somente neste ano, 18 PMs foram assassinados no Estado foram 134 em 2017.

Com a escalada da violência, o presidente Michel Temer (MDB) decretou a intervenção federal na segurança pública do Estado, medida que conta com o apoio do governador Luiz Fernando Pezão, também do MDB.

Temer nomeou como interventor o general do Exército Walter Braga Netto. Ele, na prática, é o chefe das forças de segurança do Estado, como se acumulasse a Secretaria da Segurança Pública e a de Administração Penitenciária, com PM, Civil, bombeiros e agentes carcerários sob o seu comando.

Apesar da escalada de violência no Rio, que atingiu uma taxa de mortes violentas de 40 por 100 mil habitantes no ano passado, há outros Estados com patamares ainda piores. No Atlas da Violência 2017, com dados até 2015, Rio tinha taxa de 30,6 homicídios para cada 100 mil habitantes, contra 58,1 de Sergipe, 52,3 de Alagoas e 46,7 do Ceará, por exemplo.

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