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Cirurgia de meninas unidas pela cabeça termina bem em Ribeirão Preto

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MARLENE BERGAMO E MÔNICA BERGAMO

SÃO PAULO E RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - A cirurgia para separar as duas meninas que nasceram unidas pela cabeça em 2016, no Ceará, foi realizada neste sábado (17) com sucesso.

Comandada pelo neurocirurgião Hélio Rubens Machado, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, ela foi a primeira de quatro operações que serão feitas até que Maria Ysabelle e Maria Ysadora, de 1 ano e 6 meses, sejam separadas por completo.

A mãe das crianças, Débora de Freitas Santos, 27, já foi comunicada de que tudo deu certo. "O médico me disse que não teve nenhuma surpresa e que tudo o que ele planejava ocorreu. Está tudo bem", diz ela.

A Folha de S.Paulo revelou, em janeiro, que o HC de Ribeirão, depois de um ano de exaustivo planejamento, realizaria o procedimento, um dos mais complexos que já ocorreram no país.

No Brasil, segundo estudos do HC de Ribeirão, só uma cirurgia como essa, feita há vários anos, foi divulgada em publicações científicas. Uma das crianças, com microcefalia, não tinha chances de sobreviver. A outra foi salva. Já as gêmeas cearenses, operadas neste sábado, são saudáveis.

Casos de craniópagos, que nascem unidos pela cabeça, são raríssimos: ocorrem numa proporção de 0,6 por milhão de nascimentos.

PROCEDIMENTOS

A equipe brasileira contou com o reforço do neurocirurgião americano James Goodrich, do Montefiore Medical Center de Nova York. Um dos maiores especialistas no assunto do mundo, ele já tinha operado 20 craniópagos.

Antes da cirurgia, o crânio e o cérebro das duas foram reconstruídos de forma tridimensional, e um molde de acrílico foi feito nos EUA com o detalhe "de cada voltinha do cérebro, cada veia e artéria, exatamente como são", diz o doutor Hélio. Havia temor de que fosse impossível separar a circulação. Mas isso não ocorre.

Além da cirurgia deste sábado, outras três serão realizadas. Em cada uma delas, uma parte do crânio será aberta. Veias e partes sobrepostas de uma área dos cérebros serão separadas. Tudo será fechado. Cada procedimento dura em média quatro horas -o deste sábado durou seis.

Depois de quatro meses de recuperação, será feita a segunda cirurgia, e assim sucessivamente. Só depois de um ano, se tudo correr bem, as meninas serão definitivamente afastadas -na quarta, última e mais complexa intervenção. Nela, serão separadas as veias, o cérebro e o osso das meninas. A cabeça de cada uma delas será reconstruída -o crânio e a pele.

O procedimento mobilizará equipes de neurocirurgia, cirurgia plástica, anestesistas, neurorradiologistas, pediatras e intensivistas. Tudo em dobro, pois serão duas na mesa de operação.

O valor de uma cirurgia como essa é calculado em US$ 2,5 milhões na rede privada dos EUA. Na rede pública, como é o caso das meninas, o custo é bem menor.

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