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Funcionários da Oxfam intimidaram testemunhas de abusos, diz relatório

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Funcionários da Oxfam suspeitos de má conduta sexual no Haiti intimidaram e ameaçaram uma testemunha quando a entidade passou a investigar as denúncias, diz relatório de investigação interna divulgado nesta segunda-feira (19).

O relatório aponta ainda que o diretor da Oxfam no país caribenho, o belga Roland Van Hauwermeiren, teve um relacionamento com uma haitiana de 16 anos quando ele tinha 61 anos, a quem dava dinheiro e fraldas. Durante a investigação, Van Hauwermeiren também admitiu ter pago por sexo com prostitutas -algo que na última sexta-feira (16) ele havia negado. 

O relatório era confidencial, mas a Oxfam decidiu torná-lo público após ter sido acusada de ter encoberto os abusos cometidos por sete funcionários no Haiti após o terremoto de 2010. 

Na sexta (16), o governo britânico ameaçou suspender o financiamento à organização britânica. A Oxfam Reino Unido recebeu 31,7 milhões de libras do governo no período de 12 meses até 31 de março de 2017, o que equivale a 8% de sua renda. 

O relatório mostra que a investigação teve início após o recebimento de um e-mail que dizia que funcionários haviam violado o código de conduta da organização ao usar prostitutas em abrigos da Oxfam, além de cometer fraude, nepotismo e negligência. 

Enquanto a investigação estava sendo realizada, o gerente de um dos suspeitos vazou um relatório para outro funcionário.

"Isso resultou em três dos suspeitos fisicamente ameaçando e intimidando uma das testemunhas citadas no relatório", afirma o texto final.

Van Hauwermeiren, diretor de operações no país, admitiu o uso de prostitutas em sua acomodação, mas recebeu "uma saída digna e gradual" em troca de cooperação com a investigação, diz o relatório. 

A haitiana Mikelange Gabou disse ao jornal "The Times" que teve uma relação com Van Hauwermeiren quando ela tinha 16 anos e ele 61. De acordo com seu depoimento, o belga entregou dinheiro e fraldas para seu bebê. Algumas vezes convidada para sua casa mulheres que procuravam trabalho, as quais dava dinheiro.

Na semana passada, Van Hauwermeiren negou ter organizado orgias com jovens prostitutas, mas admitiu em uma carta publicada pela imprensa belga que teve relações sexuais com uma "mulher respeitável e madura", sem entregar dinheiro.

O relatório diz ainda que "não é possível excluir a possibilidade de que algumas prostitutas tenham sido menores de idade". 

Sete funcionários se demitiram ou foram demitidos como resultado da investigação.

A Oxfam concluiu no relatório que era necessário adotar "mecanismos melhores" para informar as demais agências sobre o comportamento problemático dos funcionários.

Depois de deixar a Oxfam, Van Hauwermeiren trabalhou para a organização francesa Ação contra a Fome em Bangladesh. Esta última lamentou não ter sido avisada sobre o comportamento do belga no Haiti.

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