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"Primo" do Aedes carrega febre amarela, mas poder de transmissão é incerto

NATÁLIA CANCIAN E CLÁUDIA COLLUCCI BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma pesquisa do Instituto Evandro Chagas detectou a presença do vírus da febre amarela em um mosquito diferente daqueles que hoje são apontados como transmissores da doença -o

Da Redação

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Escrito por Da Redação
Publicado em 15.02.2018, 19:55:00 Editado em 15.02.2018, 19:55:09
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NATÁLIA CANCIAN E CLÁUDIA COLLUCCI

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BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma pesquisa do Instituto Evandro Chagas detectou a presença do vírus da febre amarela em um mosquito diferente daqueles que hoje são apontados como transmissores da doença -o Aedes albopictus.

A descoberta ocorreu após análise de mosquitos capturados no primeiro semestre do último ano em áreas rurais próximas aos municípios de Itueta e Alvarenga, em Minas Gerais.

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Segundo o diretor do instituto, Pedro Vasconcelos, é a primeira vez que o vírus é detectado nesse mosquito, encontrado na área rural de algumas regiões brasileiras.

O resultado indica que o Aedes albopictus está suscetível ao vírus da febre amarela, o que não havia sido verificado até então. Ainda não é possível dizer, porém, se ele é capaz de transmitir a doença.

Para isso, o instituto, com apoio do Ministério da Saúde, planeja fazer novos estudos que possam verificar a capacidade vetorial desse mosquito, também conhecido como "Tigre Asiático".

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"O simples encontro do vírus da febre amarela nos tecidos desses mosquitos não indica que ele tem capacidade vetorial [ou seja, de transmitir o vírus]", afirma Vasconcelos. "São necessários novos estudos".

A pesquisa é necessária uma vez que, em outros países, há outros mosquitos que também já foram encontrados com o vírus da febre amarela, mas que não o transmitem. É a primeira vez, no entanto, que isso ocorre com o Aedes albopictus.

"Temos outros mosquitos infectados com o vírus de febre amarela na mata. São mosquitos que carregam o vírus, mas que não tem potencial de transmitir", completa. A previsão é que os resultados saiam em até 45 dias.

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Além de Minas Gerais, a pedido do ministério, pesquisadores também devem reforçar a captura de mosquitos no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde há casos da doença, para verificar se há presença do vírus em outros Aedes albopictus e se há ou não possibilidade de transmissão por meio dele.

"Também precisamos verificar se encontramos o mosquito recém-infectado ou se eles já estavam infectados há muito tempo", explica. "Se estava infectado há muito tempo, significa que a capacidade vetorial dele é muito baixa".

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Para o virologista Maurício Nogueira, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, o achado é um dado epidemiológico "muito importante". "Pode significar uma primeira etapa de urbanização da doença. Embora o albopictus não seja um mosquito de grandes metrópoles, com o aegypti, ele tem capacidade sim de transmissão. As autoridades não podem confiar no 'eu acho que não vai acontecer'", afirma.

Ele explica que o albopictus tem uma capacidade vetorial muito semelhante ao do aegypti e que, na Asia e no Caribe, já esteve envolvido em epidemias de dengue e de chikungunya. "Por aqui, o papel dele em sustentar epidemias não é conhecido."

Segundo Nogueira, pode ser que agora haja respostas, por exemplo, para a indagação sobre o motivo do aumento de casos de febre amarela. "Será que se adaptou a um novo vetor?"

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TRANSMISSÃO ATUAL

Atualmente, a transmissão de febre amarela no Brasil ocorre pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, que ficam em áreas rurais e de mata -é o chamado "ciclo silvestre" de transmissão.

Já o responsável por uma possível transmissão em área urbana seria o Aedes aegypti, que também pode transmitir dengue, zika e chikungunya. O Brasil, no entanto, não registra transmissão urbana de febre amarela desde 1942.

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De acordo com Vasconcelos, caso a possibilidade de transmissão pelo Aedes albopictus seja confirmada, isso poderia indicar o risco de haver um ciclo intermediário de febre amarela.

Isso porque o mosquito circula em regiões também intermediárias, que ainda estariam em meio rural, mas um pouco mais próximas das cidades, em áreas periurbanas.

Questionado, o diretor diz ver como baixa a possibilidade de que o país já esteja vivendo este ciclo intermediário. "É difícil afirmar, mas minha impressão é que não. Esses mosquitos não migram muito", afirma.

Para ele, todos os dados apontam que o aumento de casos de febre amarela no país desde o fim de 2016 está relacionado à baixa imunização.

"O que ocorreu e ainda está ocorrendo no Brasil é que os casos de febre amarela ocorrem em áreas onde não estava recomendada a vacinação, ou que não eram vacinados. E não um possível ciclo intermediário", diz.

Ainda segundo o pesquisador, apesar de existente em várias regiões, o Aedes albopictus tem predominância menor do que o Aedes aegypti.

"Sabemos que, onde tem predominância de Aedes  aegypti, o Aedes  albopcitus não se instala. Há uma competição pelo nicho ecológico", informa.

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