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Cyril Ramaphosa é eleito novo presidente da África do Sul

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cyril Ramaphosa foi eleito presidente da África do Sul pelo Parlamento do país nesta quinta-feira (15), depois da renúncia de Jacob Zuma nesta quarta.

A decisão acontece no mesmo dia que a polícia sul-africana mantém uma operação anticorrupção e busca os irmãos Gupta. A ligação do ex-presidente com a família de origem indiana é um dos principais motivos de sua saída do cargo.

Ramaphosa, que era vice de Zuma, era o único candidato à Presidência, já que partidos de oposição boicotaram a votação. A oposição desejava a dissolução do Parlamento e novas eleições.

Zuma renunciou depois de anos de escândalos que mancharam seu histórico como um dos líderes da luta pelo fim de apartheid ao lado de Nelson Mandela (1918-2013) e arranharam a imagem de seu partido, o CNA (Congresso Nacional Africano).

Mais cedo, legisladores do partido de oposição Lutadores da Liberdade Econômica deixaram o plenário, dizendo que a votação era ilegítima. Ramaphosa promete combater a corrupção, mas partidos de oposição como a Aliança Democrática dizem que o CNA protegeu Zuma por anos apesar das diversas acusações contra ele.

O CNA tem a maioria no Parlamento, porém, e conseguiu os votos para eleger Ramaphosa.

ULTIMATO

As negociações pela saída de Zuma, eleito em 2009 e reeleito em 2014, se arrastavam havia dias. No fim de semana, segundo relatos da mídia sul-africana, ele já havia concordado em deixar o cargo, mas impusera condições.

A resposta do CNA veio sob a forma de ultimato, e como o presidente se recusava a atendê-lo, o partido anunciou que apoiaria o voto de desconfiança pedido pela oposição no Parlamento, o que na prática forçaria sua saída.

Ramaphosa havia vencido em dezembro a disputa para suceder Zuma no comando do CNA, partido que dirige a África do Sul desde o fim do apartheid, em 1994. Parte da cúpula do CNA teme que a derrocada do agora ex-presidente prejudique o partido nas próximas eleições, abrindo espaço para a ascensão de uma oposição que nunca esteve no poder.

GUPTA

Ex-companheiro de prisão de Mandela (passou dez anos em Robben Island, até 1973), controverso, carismático e polígamo, Zuma, 75, é investigado por corrupção e foi absolvido, em 2006, de uma acusação de estupro.

Também está sob escrutínio sua ligação com a família Gupta, dona de um conglomerado que abrange de mineração à aviação civil, tecnologia e energia e emprega 10 mil pessoas, com receita anual de US$ 22 milhões.

Os Gupta, de origem indiana, são acusados de subornar autoridades para obter contratos públicos e de influenciar a escolha do gabinete. Uma operação policial nesta quarta e quinta que tem a família como alvo já prendeu oito pessoas -eles negam as acusações, assim como Zuma

Entre os presos está Verun Gupta, sobrinho dos irmãos Ajay e Atul, patriarcas da família. Todos os detidos foram liberados sob fiança.

A polícia sul-africana informou que Ajay está sendo procurado e atualmente é considerado foragido. O jornal local “Times” afirma que ele contratou um grupo de seguranças e está atualmente em fuga. A publicação disse que também há um mandado de prisão Atul, mas este não foi confirmado pelas autoridades.

Zuma é objeto de também denúncias que envolvem reformas feitas em sua casa pagas com dinheiro público. Em 2016, o então presidente enfrentou uma votação de impeachment e venceu.




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