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Orçamento de Trump eleva gasto militar

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PATRÍCIA CAMPOS MELLO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Donald Trump apresentou nesta segunda-feira (12) uma proposta de Orçamento que prevê aumento de US$ 195 bilhões em gastos militares em dois anos, recursos para erguer o muro na fronteira com o México, cortes em assistência aos mais pobres e um acréscimo de US$ 7,1 trilhões ao deficit ao longo de dez anos.

A proposta orçamentária de US$ 4,4 trilhões precisa passar pelo Congresso, que tradicionalmente não aprova o texto nos moldes em que é apresentado. Mas o plano é interpretado como o mapa das prioridades da Casa Branca para o ano fiscal, que começa em outubro.

Na semana passada, legisladores democratas e republicanos haviam fechado um acordo que elevou em US$ 300 bilhões o teto de gastos militares e de programas domésticos.

Mas o orçamento de Trump, numa tentativa de agradar aos conservadores que se opõem ao grande deficit previsto, determina cortes nos programas domésticos para contrabalançar a elevação nos gastos em defesa.

Os cortes atingiriam o Medicare, programa de assistência de saúde do governo que beneficia 55 milhões de idosos, o Medicaid, para pessoas de baixa renda, além do programa de "cupons de alimentos" de ajuda financeira para famílias pobres e de redução no orçamento da Agência de Proteção Ambiental

Os democratas já indicaram que irão se opor.

"A proposta orçamentária de Trump deixa claro seu desejo de fazer cortes maciços em assistência médica e programas contra a pobreza para aliviar a explosão no deficit causada por seus cortes de impostos para milionários e grandes empresas", disse o deputado democrata John Yarmuth.

A proposta inclui US$ 716 bilhões para gastos militares e manutenção do arsenal nuclear. "Nossas Forças Armadas estavam totalmente depauperadas, e agora teremos Forças Armadas como nunca tivemos antes", disse Trump.

Com o corte de impostos de US$ 1,5 trilhão aprovado em dezembro, mais o aumento do teto de gastos, a Casa Branca fará a maior expansão de gastos desde a crise de 2008, quando a elevação do deficit tinha como propósito reaquecer a economia.

Mas agora essa expansão fiscal é alvo de críticas, porque a economia está próxima do pleno emprego, e os gastos poderiam causar um processo inflacionário. A dívida pública líquida dos EUA já está em 82% do PIB, e o deficit chegará a 4,7% em 2019.

ESTÍMULO

Trump vinha dizendo que os cortes de impostos estimulariam empresários a investir, aumentando a produção e, consequentemente, a arrecadação. Com isso, o corte de imposto seria compensado.

Mas agora prevê que o deficit na próxima década chegará a US$ 7,1 trilhão. O número pode estar subestimado, pois considera uma estimativa de crescimento otimista, de 3% ao ano, nos próximos 3 anos anos.

Também inclui US$ 200 bilhões do chamado plano de infraestrutura, para recuperar pontes, estradas e outros. Na proposta, o gasto do governo alavancaria um total de US$ 1,5 trilhão de investimento privado e dos Estados.

O orçamento de Trump determina gasto de US$ 23 bilhões em segurança das fronteiras, sendo US$ 18 bilhões para a construção do muro na fronteira com o México.

E a proposta pede US$ 13 bilhões para combater a epidemia de opiáceos.

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