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Império, Vai-Vai e Dragões foram os destaque no 2º dia de desfiles em SP

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GUILHERME SETO E ARTUR RODRIGUES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A segunda noite de desfiles no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, foi bastante diferente da primeira. No sábado (10) para o domingo (11), o público lotou as arquibancadas e mais de uma escola fez apresentações de destaque, que as colocarão na briga pelo título. A Império de Casa Verde se destacou com um desfile exuberante, mas encontrou páreo na Vai-Vai e na Dragões da Real.

A apuração será na terça-feira (13), a partir das 16h15.

A Casa Verde apresentou o enredo O Povo: A Nobreza Real, sugerindo uma revolução social a partir da qual o povo deixaria de ser dominado. No desfile, o carnavalesco Jorge Freitas teceu paralelos entre a Revolução Francesa e a situação brasileira de hoje.

A derrocada da nobreza francesa foi apresentada em carros colossais e barrocos. O abre alas, por exemplo, foi inspirado no Palácio de Versalhes, centro de poder do Antigo Regime entre os séculos XVII e XVIII. A comissão de frente mostrou o povo guilhotinando os nobres, e o abre-alas teve uma fantasia cravejada de cristais swarowski que custou R$ 150 mil para ser confeccionada.

Em uma referência ao Brasil, integrantes da escola da zona norte bateram panelas. "Na alma da gente/a esperança continua/vem pra rua", dizia também o samba. "Vem pra rua" é expressão que se popularizou em protestos nos últimos anos no Brasil.

Carnavalesco da Império, Jorge Freitas disse que o resultado será apenas consequência do bom desfile, desconversando sobre as boas condições da escola na disputa por título.

"Demos a mensagem. Queríamos falar sobre como poucos tem muito e muitos têm pouco, algo que a humanidade não conseguiu resolver. São as bastilhas que temos de enfrentar", afirmou Freitas.

GIL

Maior campeã da história do Carnaval paulistano, com 15 títulos, a Vai-Vai escolheu a história de um personagem nacionalmente querido e, também por isso, foi recebida com empolgação. O cantor e compositor baiano Gilberto Gil, 75, foi o homenageado e participou animadamente do desfile da Vai-Vai.

O desfile abordou diversos momentos e facetas da carreira de Gil, passando por sua infância na Bahia; pela religiosidade de sua formação; pela ameaça da ditadura militar e o exílio em Londres; e a relação com o afoxé Filhos de Gandhy -Gil apareceu vestido com os trajes do movimento de Salvador em um carro com réplica gigante do próprio músico com as mesmas roupas.

A única exceção foi um grupo de homens no camarote da Prefeitura de São Paulo que gritou: "petista filho da puta".

"Me emocionei muito, mas não foi aquela emoção tobogã. Era uma coisa assim direta. Primeiro porque é o samba, né? A bateria, os surdos, os tamborins, tudo isso é uma coisa extraordinariamente forte na cultura brasileira. Depois, o samba, a melodia, a letra, o desfile de citações do meu trabalho", disse Gil ao fim do desfile, após conduzir, no apito, os refrões do samba-enredo para alguns membros da Vai-Vai.

"Minha história foi muito bem contada, de forma simples, direta. Nada cansativo, um percurso de 50 minutos", concluiu o baiano.

Homenageando a cantora maranhense Alcione, a Mocidade também fez um desfile de primeira linha, ainda que tenha sido menos imponente nas fantasias e nos carros que as favoritas.

O grande destaque foi, como de costume, a bateria. Uma das mais famosas de São Paulo, comandada pelo mestre Sombra, a bateria fez referências rítmicas ao percurso de Alcione: simulou a batida da Mangueira, relembrou o ritmo de músicas cantadas por ela, como "Não Deixe o Samba Morrer", e ainda fez coreografias.

SEGUNDA CHANCE

Escola mais jovem do Grupo Especial, a Dragões da Real (17 anos), fundada por torcedores do São Paulo Futebol Clube, a Dragões da Real bateu na trave em 2017 e deixou o título com a Tatuapé no último quesito da apuração. Desta vez, deixou claro que não quer deixar que isso se repita.

O enredo da escola tematizou a música caipira. No primeiro dia de desfiles, o estilo musical foi homenageado pela Rosas de Ouro, que tomou os caminhoneiros como objeto do seu samba-enredo.

A Dragões trouxe carros muito bem trabalhados nos detalhes, com abordagem criativa. O primeiro carro e as alas que o acompanhavam tratavam da importância da natureza na vida rural, e mostravam aves, joaninhas, milharais, algodão, trigo.

O samba funcionou muito bem na arquibancada ao emendar referências a clássicos da música caipira: fio de cabelo, caipira pirapora, onde mora o sabiá. Os intérpretes deram leve toada sertaneja à cantoria.

As três escolas elevaram o nível em relação ao primeiro dia de desfiles e devem disputar o título com a Unidos do Tatuapé e sua homenagem ao Maranhão.

SAIA JUSTA

O fato negativo da noite aconteceu no último desfile, o da Unidos de Vila Maria.

A saia da porta-bandeira Laís Moreira caiu logo no começo do desfile e não foi possível costurá-la de volta. Laís fez parte do percurso de shorts e o restante com um pano amarelo amarrado à cintura.

Após o incidente, a escola colocou às pressas nas mãos de Jéssica e Bruno, o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, a responsabilidade de levar o pavilhão da escola.

Devido ao problema, a escola poderá perder pontos em três quesitos: evolução, fantasia e enredo.

"Ninguém merecia que eu abandonasse o desfile: nem a comunidade, nem meu parceiro. Por isso, continuei", disse Laís já na dispersão.




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