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Cordão da Bola Preta faz 100 anos de desfiles ininterruptos no Rio 

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LUCAS VETTORAZZO E LUIZA FRANCO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O Cordão da Bola Preta, o bloco mais antigo ainda em atividade no Rio, desfila neste sábado (10) para comemorar seus 100 anos de folia. 

O Bola, como é conhecido, é o bloco mais antigo do Brasil e dos poucos remanescentes do século passado que ainda resiste nas ruas da cidade. A sua tradicional marchinha, que começa com os versos "Quem Não Chora Não Mama", é um símbolo do Carnaval de Rua e atravessa gerações. 

Neste ano o tema do Bola é justamente o centenário do bloco. A organização está reunindo um acervo de fotos antigas para exposição ao longo do ano. Além disso também está em produção um documentário a ser exibido em telas ao ar livre pelo Rio. Um livro infantil também faz parte do projeto. A direção do bloco tentará levantar recursos por meio de patrocínios e leis de incentivo à cultura. 

"A história do Bola Preta se confunde com a história do Carnaval do Rio. E não só isso. Ele detém uma parte importante da história da música brasileira. É isso que queremos resgatar nesse ano de centenário", disse a produtora responsável pelo acervo do Bola Heloísa Alves. 

Uma novidade para o ano que vem é a ida do Bola para as ruas de São Paulo, durante o Carnaval. A ideia é fazer um desfile no Rio e outro na capital paulista. A ideia existe, mas o martelo ainda não foi batido, pois dependerá de patrocínio.

Para conseguir remontar toda a história do bloco, a direção apela para ajuda de simpatizantes que tenham registros da festa no passado. Uma das fotos mais famosas, e sem data, era de quando o desfile era encabeçado por carros alegóricos puxados por burros, no início do século passado. 

Uma das principais dificuldades é justamente a falta de informação das datas nas centenas de fotos do acervo do bloco. Em 2012, o Bola Preta fez uma exposição no Largo da Carioca, no centro do Rio, com os principais registros da festa. 

Foi no Largo da Carioca onde nasceu o bloco, numa mesa de bar. A versão mais aceita para o nome é a que conta que amigos bebiam num bar quando passou uma mulher bonita com um vestido branco de bolinhas pretas. Ela teria dado um beijo em um dos fundadores e desaparecido no meio dos passantes. "Cadê a bolinha preta?", perguntavam os integrantes, no que virou o mote para o nome que perdura até hoje. 

Oficialmente, o Bola nasceu em 31 de dezembro de 1918, então o centésimo aniversário só virá no fim do ano. Ainda assim, como o Bola já acumula 99 cortejos pelas ruas do centro, neste sábado, será seu centésimo desfile. 

A antiga sede do Bola, na rua 13 de Maio, no centro, foi um dos locais que abrigavam um restaurante e uma das principais rodas de samba dos anos 1970, 1980 e 1990. 

O sambista Neguinho da Beija-Flor, por exemplo, antes de carregar essa alcunha, se apresentava por lá. Hoje, Neguinho é o padrinho do bloco. A madrinha é a cantora Maria Rita, seguindo a tradição dos organizadores de colocar uma cantora mulher no posto. Elizeth Cardoso foi a primeira e é hoje a "madrinha eterna" da agremiação. 

Um registro muito desejado pela direção é o de uma aparição do cantor Roberto Carlos em um baile de carnaval do Bola Preta nos anos 1970. Não há registro oficial no acervo do bloco deste momento, embora ele esteja na memória dos mais antigos. 

Em sua sede atual, também no centro do Rio, o bloco guarda fotos de nomes como Zeca Pagodinho, Nana Caymmi e da própria Elizeth Cardoso.

Nos anos 2000, a sede própria foi penhorada por conta de dívidas. Hoje, fica na rua da Relação e abriga diversas festas e eventos da cidade. 

Nos últimos 100 anos o Bola não ficou circunscrito à folia nas ruas. Há registros de bailes de carnaval, shows na sede social e até campeonatos de futebol. Um dos registros mais bonitos, segundo Heloisa, é a da apresentação do Palhaço Carequinha no dia das crianças. 

Todos esses registros, do passado ao presente, devem estar nessa exposição de memória.

Foi nos anos 2000 que o Bola ganhou ares de maior festa do Carnaval popular do Rio. Em 2005, foi registrado o desfile mais longo do bloco, com sete horas ininterruptas de festa. 

Neste sábado, a primeira mulher rainha do bloco, Maura Possas, 83, empossada no posto em 1961, desfilará de cima de um dos carros de som. 

O posto de rainha foi criado em 1935, quando o Rio passou a eleger também o Rei Momo, antes representado por um boneco. 

O Bola criou então suas "rainhas", que de 1935 a 1960, eram interpretadas por homens em roupas femininas. O nome da rainha fictícia era "Frederica Augusta, a coração de leoa". Somente em 1961 uma mulher de fato assumiu o posto. 

Há três anos, a festa deixou a avenida Rio Branco e passou à avenida Presidente Antônio Carlos, também no centro, para conseguir abrigar melhor a multidão. 

A tradição é ir de roupa branca com bolinhas pretas, mas grupos inteiros se fantasiam exclusivamente para o bloco, que tem como porta-bandeira a atriz Leandra Leal.

Uma outra tradição muito cultuada é dos participantes ocuparem as ruas laterais ao bloco com verdadeiras confraternizações de grandes grupos, com churrasco ou feijoada. 

O Bola rivaliza com o Galo da Madrugada o posto de maior bloco do mundo. Ao menos segundo o Guiness Book, o livro dos recordes, o Galo da Madrugada é detentor do título de maior bloco desde 1995. 

No Rio, organizadores do Bola dizem esperar 1,5 milhão de pessoas desfilando nas ruas do Rio, o bloco pernambucano diz esperar esperar 2,5 milhões de foliões no Recife.

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