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Bloco da loucura reúne pacientes e vizinhos de centro psiquiátrico no Rio

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SÉRGIO RANGEL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - "Com loucura no coração", um bloco que aposta no samba para acabar com o preconceito vai abrir simbolicamente nesta quinta-feira (8) o Carnaval da zona norte do Rio.

Vencedor de prêmios da folia carioca, o "Loucura Suburbana" é formado por pacientes, profissionais e moradores dos arredores do Instituto Municipal de Assistência e Saúde Nise da Silveira -antigo Centro Psiquiátrico Pedro 2º, no Engenho de Dentro.

Os próprios pacientes ajudam na confecção das fantasias e comandam os desfiles.

"A nossa ideia no início foi fazer uma festa fora dos muros do hospício. O bloco tirou as grades de lá e se expandiu de uma forma linda pelo bairro", lembra a psicóloga Ariadna Mendes, coordenadora do bloco, que neste ano completará o 18º desfile.

Por causa da crise da saúde no Rio, os organizadores lançaram campanha de financiamento para o desfile. O bloco ofereceu oficinas gratuitas permanentes de percussão, adereços, fantasias, cavaquinho e composição musical.

"Louco também tem direito de sambar. Por isso, não perco um Carnaval aqui. A música me traz uma paz", disse o "puxador" do bloco, André da Silva Lisboa, 42. "Mas me chama de André Poesia. A minha vida fica mais bonita assim", completou.

"Já vivi como mendigo antes de entender os meus problemas. A minha vida agora é só samba e trabalho", disse o intérprete da música do desfile de 2018 do "Loucura Suburbana". Ele trabalha na limpeza de uma lanchonete na zona oeste do Rio.

O bloco foi o primeiro ligado ao movimento antimanicomial a desfilar no Rio. Neste ano, haverá outros dois.

O samba deste ano também vai lembrar a psiquiatra Nise da Silveira, que trabalhou no Engenho de Dentro e era contrária às práticas da lobotomia e do choque elétrico nos anos 40. Lá, ela conseguiu desenvolver um método para tratar pacientes com transtornos mentais por meio da arte.

O "Loucura Suburbana" arrasta centenas de fãs pelas ruas em torno do centenário hospício, que abrigou milhares de pacientes. Hoje, cerca de 100 residem no instituto.

Censurado pela ditadura, Sérgio Sampaio escreveu sobre o período lá: "Fui internado ontem/Na cabine 103/do Hospício do Engenho de Dentro/Só comigo tinham dez". O trecho faz parte da letra "Que Loucura", um dos clássicos do cantor, morto em 1994.

A venezuelana Elisabeth Aguirre é uma das fãs do bloco. Na quinta (25), assistiu à escolha do samba. "Fui no ano passado no desfile e me emocionei muito. É tudo lindo", disse Elisabeth, que mora nos arredores do hospital.

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