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Público do pré-Carnaval enaltecido por Doria é 'apanhado' de números

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ARTUR RODRIGUES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O público de 3,95 milhões de pessoas no pré-Carnaval de rua de São Paulo enaltecido pela gestão João Doria (PSDB) é uma estimativa feita a partir de um apanhado de dados de fontes distintas e sem nenhuma metodologia uniforme de contagem.

O prefeito, postulante à vaga de candidato do PSDB ao governo do Estado de São Paulo, tem propagandeado a estimativa do último final de semana como uma espécie de aperitivo para um possível "recorde" a ser batido pela cidade a partir de sexta-feira (9) no "maior Carnaval do Brasil". O tucano prevê 4 milhões de pessoas em blocos de rua da capital durante o feriado da folia.

A estimativa utilizada até agora pela prefeitura, porém, deixa uma série de dúvidas sobre os números. A administração diz apenas que a quantidade de foliões no sábado (3) e no domingo (4) foi baseada "nos números fornecidos pelos próprios blocos e no monitoramento feito pela própria administração, por meio da GCM, da CET e da Secretaria de Prefeituras Regionais".

A partir dessa informação, a reportagem quis saber quais foram as metodologias de contagem aplicadas, mas a prefeitura não respondeu.

Como a gestão informou que parte da estimativa é baseada em números dos próprios blocos, a reportagem também solicitou uma lista de blocos com seus respectivos públicos, mas também não houve resposta. Um total de 187 blocos desfilaram na cidade no último final de semana.

Em vídeo publicado em suas redes sociais, o prefeito comemorou o público da festa e exibiu as ruas lotadas de foliões. "Nessa próxima semana do Carnaval, São Paulo vai bater o recorde. Mais de 4 milhões de pessoas nas ruas. Talvez faça de São Paulo o maior Carnaval do Brasil", disse Doria. Só no Facebook o vídeo teve, até a tarde desta quarta (7), mais de 126 mil visualizações.

O número divulgado por Doria é equivalente às populações de Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS) juntas, cujas estimativas para 2017 feitas pelo IBGE são de 2,52 milhões e 1,48 milhões de pessoas, respectivamente.

A estimativa da prefeitura é como se um em cada três moradores da capital paulista tivesse ido para a folia.

Entre os blocos que atraíram multidões no pré-Carnaval paulistano, estão Acadêmicos do Baixo Augusta, Monobloco e Bicho Maluco Beleza. A grande adesão à folia provocou até a implantação de um esquema emergencial em uma das linhas do metrô.

EVENTOS

O público anunciado de quase 4 milhões de pessoas destoa de outros grandes eventos da cidade, medidos pelo Datafolha a partir de metodologia própria de contagem de multidões. O maior evento político contabilizado pelo instituto foi o protesto pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), que reuniu aproximadamente 500 mil pessoas em 13 de março de 2016. O protesto do dia 20 de junho de 2013, organizado em São Paulo pelo MPL (Movimento Passe Livre), teve 110 mil participantes.

Para contabilizar o público de um evento, pesquisadores do Datafolha percorrem a região e avaliam o número médio de pessoas por metro quadrado. A área do evento é dividida em quadrantes, cuja concentração é estimada pelos pesquisadores. Ao mesmo tempo, as pessoas também são entrevistadas e questionadas sobre há quanto tempo estão no local. Isso permite que seja estimada a variação do público flutuante de determinado evento.

De acordo com estudo do Datafolha, o máximo de pessoas que caberiam na avenida Paulista e na rua da Consolação, ao mesmo tempo, seria 1,3 milhão. Já no sempre lotado Réveillon na praia de Copacabana, seria possível reunir 2,8 milhões.

Para fazer o cálculo da capacidade máxima de determinado local, o Datafolha calcula que a aglomeração máxima em áreas abertas é de sete pessoas por metro quadrado. Baseado em imagens via satélite, calcula-se a área do espaço e multiplica-se por sete.

A Polícia Militar também possui metodologia própria de medição, a partir de imagens aéreas captadas por helicópteros Águia e em terra —depois submetidas a programas de georreferenciamento.

Entretanto, até agora, nenhuma medição do Carnaval de rua de São Paulo foi divulgada pela Polícia Militar.

OUTRO LADO

A Prefeitura de São Paulo afirmou ter baseado a estimativa de público do final de semana do pré-Carnaval em informações dadas pelos blocos e monitoramento próprio.

A medição usou informações da GCM (Guarda Civil Metropolitana), CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e Secretaria das Prefeituras regionais, além dos grupos responsáveis pelos 187 desfiles, informou.

"Calcula-se, portanto, que houve público de cerca de 2 milhões de pessoas no sábado e 1,950 milhão no domingo, nas mais diversas regiões da cidade", diz em nota.

A reportagem solicitou um detalhamento da metodologia, mas não obteve resposta. Também não foi informado o número de pessoas em cada um dos 187 blocos.

A prefeitura afirmou que decidiu intensificar ações de limpeza durante o Carnaval e alterar locais onde banheiros foram instalados.

A avenida 23 de Maio, que receberá grandes blocos a partir de domingo, terá 60 novos contêineres para descarte de lixo. A avenida Brigadeiro Faria Lima, em Pinheiros, terá aumento de 60% nos locais de coleta.

A região da avenida foi o principal gargalo da festa do pré-Carnaval, com excesso de camelôs e dificuldade para entrar e sair do metrô devido à lotação.

A gestão diz ainda que haverá reforço dos cerca de 3.000 homens da GCM que auxiliam a fiscalização.

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Edhucca

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