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Viaduto da principal via de Brasília desaba

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RUBENS VALENTE E NATÁLIA CANCIAN

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Um trecho do Eixão, via expressa estratégica em Brasília, desabou no final da manhã desta terça (6). Parte de um viaduto atingiu quatro carros e um restaurante popular, mas não deixou vítimas, segundo as autoridades.

A estrutura havia sido um dos alvos de auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal que apontava em 2012 a necessidade de "manutenção/reparos urgentes".

O relatório dizia que ela estava comprometida por rachaduras e infiltração de água da chuva -e citava outros seis locais de Brasília que precisavam de conservação, incluindo duas das mais movimentadas pontes da cidade.

Desde então, o tribunal vinha reiterando determinações para que o governo do DF colocasse em prática um plano de conservação de bens e monumentos públicos e destinasse recursos para essa ação, o que não foi cumprido integralmente, diz a corte.

No momento do acidente, por volta das 11h30, havia só 15 clientes no restaurante por quilo que funciona sob o Eixão e que chega a atender 300 pessoas, segundo a proprietária, Pavleska Miranda.

Mesas do restaurante ficaram debaixo dos escombros, mas não houve feridos. Ela disse que já havia feito diversas queixas ao governo sobre a manutenção do viaduto.

O guardador de carros Raimundo Nonato Santana, 52, que disse ter presenciado o desabamento, afirmou que a estrutura vinha "rangendo" nos últimos meses. Ele trabalha há mais de 30 anos no local.

"Eu antes escutei o zinco 'estralando'. Eu avisei a menina [do restaurante vizinho], 'ó, alguma coisa está acontecendo ali'. [...] Caiu a parte primeiro, depois veio caindo em câmera lenta. O menino [um colega flanelinha] saiu correndo e acho até que está mancando porque ele bateu a perna no carro", disse.

O vendedor Fernando Francisco da Silva, 38, é dono de um dos carros soterrados, um Palio de 2015. Ele afirmou que não estava com o seguro em dia e que pretende acionar o governo.

"Amigos me ligaram e comentaram, e eu vim correndo. Deixei aqui o carro por duas horas, e foi o tempo em que aconteceu. Às vezes eu ficava esperando dentro do carro até dar o horário de visitar os clientes", afirmou.

Outro que teve o carro atingido foi Lindemberg Igor, 50, funcionário do BRB (Banco de Brasília). Ele deixou sua camionete Hilux estacionada no local para ir almoçar. Cerca de cinco minutos depois, ouviu um estrondo e soube da queda. "Foi o tempo de eu deixar o carro e voltar. Foi Deus mesmo", disse.

OBRAS

Mais conhecido como Eixão, o Eixo Rodoviário de Brasília liga os extremos das asas sul e norte, que são os principais bairros de Brasília.

No centro da cidade, cruza com o Eixo Monumental, outra via importante do Plano Piloto e na qual estão as sedes dos ministérios e os prédio do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto.

O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) disse que o local do Eixão onde ocorreu o desabamento será interditado até o próximo dia 19 para avaliação das causas da queda e porque ainda há risco de desabamento em outras partes do viaduto.

O governador disse que só uma perícia poderá determinar o que causou o desabamento, mas ponderou que "é uma obra antiga e que o nível de exigência daquela época era menor". "Tivemos problemas de infiltrações, elas podem ter corroído, ao longo do tempo, as ferragens e isso tudo acabou reduzindo a força da estrutura", disse.

O viaduto que desabou data de 1960. Ele foi erguido pela Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil) e repassado ao DER (Departamento de Estradas de Rodagem) nos anos 1980.

A respeito da auditoria do Tribunal de Contas, o governador disse que obras foram realizadas em quatro dos sete pontos citados no relatórios como urgentes e outras estavam ocorrendo dentro de um cronograma, mas reconheceu que a reforma no viaduto que desabou ainda não tinha sido iniciada.

A área do desabamento foi isolada pelos bombeiros em todos os sentidos, o que afeta todo o trânsito na parte central da cidade. Pelo menos dois blocos de Carnaval terão seu trajeto alterado.

Henrique Luduvice, diretor-geral do DER-DF, disse que estrutura será escorada para evitar riscos de queda da parte restante. Um grupo de trabalho formado por órgãos responsáveis por obras, como o DER e a Novacap, segundo o governo do DF, vai elaborar um plano emergencial que prevê uma "análise criteriosa da estrutura".

"Além da vida útil, eventuais fissuras, trincas, infiltrações e corrosão podem ter sido a causa desse desabamento", diz Luduvice, do DER.

Segundo o diretor, em 2009, o órgão e um grupo de instituições do governo do DF fizeram um relatório que apontou a necessidade de orçamento específico para manutenção de pontes e viadutos da capital federal.

Desde então, diz o diretor do DRE, ao menos seis deles passaram por obras. "A crise econômica tem dificultado a existência de orçamento para esses investimentos. Esses recursos [de manutenção] estão aquém do que se precisa."




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