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Adolescente morre baleado durante ação policial na Maré, no Rio

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LUCAS VETTORAZZO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Um adolescente morreu após ser baleado na tarde desta terça-feira (6) durante ação policial no Complexo da Maré, na zona norte do Rio.

Esse é o segundo menor morto na cidade nesta terça. Uma menina de três anos já tinha morrido em uma tentativa de assalto em Anchieta (zona norte), na madrugada.

O menino, com idade entre 13 e 14 anos, cuja identidade não foi revelada, foi atingido na Maré e chegou a ser levado ao Hospital Souza Aguiar, mas chegou já sem vida. A morte foi confirmada pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio.

No início da manhã, a Polícia Militar invadiu as favelas do Tibau e Conjunto Esperança, que integram o Complexo da Maré, que reúne ao menos 16 comunidades. Segundo o Censo de 2010, 129 mil pessoas vivem na região. À tarde, a PM recebeu a informação de que policiais tinham sido sequestrados nas favelas da Nova Holanda e Parque União. O território da Maré é comandado por mais de uma facção criminosa, além de grupos de milícias.

Houve confronto e o jovem teria sido baleado nessa ação. Nas redes sociais, moradores reclamam dos constantes conflitos.

A página "Maré Vive", mantida por moradores locais com informações sobre segurança, resumiu na tarde desta terça o clima na favela.

"Já estamos indo pra 10 horas de operação policial aqui na Maré. Os tiros não cessam, confrontos de grosso calibre em praticamente todo o complexo", afirma a postagem que critica o modelo de combate ao tráfico na cidade, que coloca moradores de regiões pobres na linha de tiro.

A principal crítica da página comunitária que reúne 116 mil seguidores é que o Estado não investe em serviços básicos, como saúde e educação, reservando apenas recursos para a guerra às drogas, que a página classifica como "guerra aos pobres".

Estamos encurralados por esse Estado assassino, que diz não ter dinheiro para as coisas básicas dos cidadãos, mas investe pesado na guerra aos pobres.

Moradores também alegam em perfis pessoais nas redes que policiais estariam invadindo casas de civis em busca de suspeitos.

Um fotógrafo local relatou que os tiros começaram no início da manhã, no segundo dia da volta do ano letivo.

"5h40 da manhã, gritaria, muitos tiros e você acorda. Não consigo entender o que acontece, e a intensidade das rajadas de meiota [tiros] vão aumentando, de repente você é acometido por um medo sem fim que te deixa inerte na sua cama e a sensação é única, sua casa será alvejada e você vai morrer. Primeira megaoperação do ano durante o início do ano letivo, primeira crise de pânico em 2018", afirma, cuja identidade foi preservada pela reportagem.

Em razão dos tiros, as três principais vias expressas do Rio foram fechadas no início da tarde. A Linha Vermelha, avenida Brasil e Linha Amarela tiveram que ser fechadas ao tráfego, o que deu um nó no trânsito no Rio. A liberação das vias aconteceu só às 17h30.

A Linha Vermelha é, por exemplo, a expressa que leva ao aeroporto do Galeão. As favelas do complexo ficam na margem dessas vias.

OUTRO CASO

Na madrugada, uma tentativa de assalto terminou com a morte de Emily Sofia, 3, na rua Cardoso de Castro, no bairro de Anchieta. Ela chegou a ser socorrida e levada à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Ricardo de Albuquerque, mas não resistiu.

Os pais da criança também foram baleados na ação. A mãe, atingida de raspão, foi socorrida. O pai foi atingido no tórax e passou por cirurgia. Seu estado de saúde é estável.

A família deixava uma lanchonete em um posto de gasolina quando foi abordada por criminosos, que estariam roubando carros na região. Ainda não está claro o que motivou a reação dos bandidos. O carro da família foi atingido por ao menos 10 tiros.




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