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Salvador inaugura hoje Casa do Carnaval

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SIDNEY GONÇALVES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com vista para a baía de Todos os Santos, abre suas portas nesta segunda (5) a Casa do Carnaval da Bahia.

No espaço, no centro histórico da cidade, os visitantes poderão rever músicas e coreografias como as de Carlinhos Brown e Ivete Sangalo, e relembrar Carnavais antigos.

O museu é uma divertida experiência sensorial sobre três séculos de Carnaval baiano, desde o tempo em que negros e brancos faziam festas segregadas. As elites desfilavam com máscaras na Cidade Alta, enquanto os escravos e negros libertos faziam batucadas na Cidade Baixa.

"Um museu do Carnaval em que as pessoas não participam não funciona. A gente proporciona a experiência de brincar com o uso da tecnologia", diz o curador do espaço, o cenógrafo Gringo Cardia.

O museu tem biblioteca, centro de pesquisas e terraço para shows, além de mostras de fantasias de blocos afro e figurinos de estrelas do axé.

Assinam o projeto o produtor Jonga Cunha, a editora Bete Capinan e o pesquisador Paulo Miguez, da Universidade Federal da Bahia.

A abertura ao público será na terça (6), mas os visitantes terão de fazer agendamento até o fim de fevereiro. Nessa fase inicial, o local passará por ajustes e os visitantes não pagarão entrada. Nos dias de Carnaval, estará fechado.

DIREITOS AUTORAIS

Caetano Veloso foi um dos artistas convidados para a inauguração, mas não deve ir.

Sua mulher e empresária, Paula Lavigne, diz que a ausência se deve à falta de pagamento de direitos autorais pela administração municipal e que músicas dele não serão executadas na Casa até que a dívida seja paga.

"Se quiser, ele [o prefeito ACM Neto, do DEM] que abra seu museu sem músicas. Não só do Caetano, mas de muitos que também não vão liberar."

Cláudio Tinoco, secretário municipal de Cultura e Turismo, disse que não recebeu notificação de Lavigne ou do Procure Saber, coletivo de artistas gerido pela empresária.

Segundo levantamento do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), a dívida é de cerca de R$ 40 milhões e se refere a eventos municipais como Carnaval e Réveillon, desde 2006. O órgão diz que, pela falta de diálogo, recorreu ao Judiciário.

Diversos artistas se manifestaram em redes sociais sobre a falta de pagamento.

"Salvador foi eleita a 'cidade da música' pela Unesco e é a capital brasileira que mais promove festas e eventos. Porém a prefeitura é desrespeitosa com os autores, pois os direitos autorais de eventos, como o Carnaval e o Réveillon, não são pagos", diz a mensagem compartilhada por Marisa Monte, Nando Reis, Djavan, Xande de Pilares, Mart'nália e Diogo Nogueira, entre outros nomes.

Tinoco afirma que houve reunião com o Ecad para tratar dos licenciamentos a partir deste Carnaval. O secretário disse ainda que há divergências sobre como os cálculos eram feitos. "As gestões passadas não honravam o pagamento. Havia cobranças sobre parâmetros não objetivos."

Na semana passada, ACM Neto afirmou em nota que não cabe à atual gestão decidir sobre a quitação. "Tenho todo o respeito pela manifestação de todos os artistas. É um litígio que aguarda deliberação do Poder Judiciário."

O Ecad ressalta que não tem interesse em proibir a veiculação de músicas. "Desejamos que a música se mantenha viva. O nosso trabalho é garantir que os artistas sejam respeitados", disse Gloria Braga, superintendente-executiva do órgão.

Casa do Carnaval

quando de terça a domingo, das 11h às 19h; fechado no Carnaval

onde antiga Casa do Frontispício, praça da Sé, centro histórico de Salvador, tel. (71) 3324-6730 e (71) 3324-6791

Quanto R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)

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