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Uma Thurman afirma a jornal que sofreu assédio de Harvey Weinstein

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A atriz Uma Thurman afirmou que foi uma das vítimas do produtor de cinema Harvey  Weinstein durante entrevista concedida ao jornal "The  New York Times".

"A parte complicada do sentimento que tenho sobre Harvey é [ligado a] como me sinto com relação a todas as mulheres que foram atacadas depois de mim", ela disse ao jornal.

A atriz falou em tom de autocrítica sobre sua experiência como protagonista de filmes produzidos por Harvey Weinstein.

"Eu sou uma das razões pelas quais uma jovem garota iria entrar sozinha no quarto dele, como eu mesma fiz. Quentin [Tarantino, diretor] usou Harvey como produtor executivo de 'Kill Bill', um filme que simboliza o empoderamento feminino. E todas elas marcharam em direção ao matadouro porque foram convencidas de que ninguém que chega a essa posição faria algo ilegal contra elas, mas eles fazem".

Em outubro, durante uma entrevista no tapete vermelho de um evento de lançamento do espetáculo "The Parisian  Woman" (a mulher parisiense, em inglês), na Broadway, a atriz disse que queria deixar a raiva passar antes de falar sobre a onda de casos de assédio reportados em Hollywood.

"Na verdade", corrige-se agora, "eu estava com mais medo de chorar".

Thurman tinha 16 anos quando sofreu o primeiro assédio. Ela conta que foi a uma balada e conheceu um ator 20 anos mais velho do que ela que a coagiu.

"Eu tentei dizer não, chorei e fiz tudo que poderia ter feito. Quando eu cheguei em casa, fiquei em pé na frente do espelho e olhei para as minhas mãos e estava tão brava por não estarem sangrando ou machucadas", disse. 

Na entrevista, Thurman afirma que conheceu Weinstein e sua primeira mulher após o sucesso de "Pulp  Fiction" (1994).

"Eu o conhecia bem antes de ele me atacar", disse. Ela lembrou que Weinstein dedicava horas para bajulá-la em um período que ela "não era uma querida dos grandes estúdios", e que isso pode tê-la feito "menosprezar os sinais de alerta".

Ela disse que o primeiro episódio de assédio aconteceu em Paris, quando ambos estavam discutindo sobre o roteiro de um filme e o produtor teria tirado o roupão na frente da atriz.

"Não me senti super ameaçada", disse Thurman; "pensei que ele estava sendo idiossincrático, que era algo similar a manias de um tio excêntrico".

Segundo a atriz, o produtor a disse para segui-lo por um corredor que terminava numa sauna. "Eu estava vestindo uma jaqueta de couro; estava quente demais ali e em dado momento eu disse: 'Isso é ridículo, o que você está fazendo?' Harvey acabou ficando muito nervoso e desistiu".

Thurman afirma que depois desse incidente ocorreu o primeiro ataque propriamente dito, em uma suíte de hotel em Londres. "Ele me empurrou para baixo, tentou se mostrar para mim e fez vários tipos de coisas desagradáveis. Mas não conseguiu nada. Eu tentei fazer o que pudesse para tudo voltar ao normal." 

No dia seguinte, segundo a atriz, o executivo mandou flores amarelas com um bilhete dizendo que ela tinha grandes instintos.

Thurman afirma ainda que logo depois, em novo encontro, alertou Weinstein: "Se você fizer com outras pessoas o que fez comigo, você vai perder sua carreira, sua reputação e sua família, eu juro".

Em resposta, ela diz que o produtor ameaçou destruir sua carreira no cinema.

Por meio de um porta-voz, Weinstein negou ter ameaçado prejudicar a carreira da atriz, e disse que a considera uma profissional brilhante. Ele reconheceu seus relatos sobre os episódios, mas disse que até o episódio da sauna em Paris, ambos tinham "uma relação divertida e baseada em flertes".

No comunicado, Weinstein afirma que reconheceu ter cometido um erro com Thurman na Inglaterra, "após entender errado seus sinais em Paris", e que imediatamente se desculpou.

PARCERIA ABALADA

Thurman afirma que sua declarada inimizade com Weinstein após esses episódios acabou prejudicando sua parceria criativa com o diretor Quentin Tarantino.

Em seu relato, a atriz afirma que em 2001, durante o Festival de Cannes, o diretor Quentin Tarantino teria notado que ela ficava desconfortável ao lado de Weinstein. Ele perguntou por que, visto que eles tinham de trabalhar juntos na promoção de "Kill Bill", e ela relembrou o diretor sobre os incidentes.

Thurman afirma que primeiro Tarantino não pareceu levar a sério a acusação, mas que depois o cineasta resolveu confrontar o produtor executivo.

Naquela noite, Weinstein a procurou para dizer que estava magoado e surpreso com as acusações relatadas pela atriz a Tarantino. Ela diz que reiterou os relatos e que, em dado momento, o olhar de Weinstein mudou de agressivo para envergonhado. Na sequência, ela diz, ele pediu desculpas.

Perguntado pela reportagem, Weinstein confirmou esse pedido de desculpas.

As denúncias de assédio sexual e estupro contra Harvey  Weinstein, 65, foram o estopim para uma avalanche de acusações em Hollywood.

O outrora poderoso produtor executivo foi acusado de ter assediado e estuprado mulheres ao longo de três décadas. Entre as vítimas estão Angelina Jolie, Ashley Judd e Gwyneth Paltrow. Bob Weinstein, irmão de Harvey, também foi acusado de assédio.




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