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Brasileira volta à Irlanda e é detida no aeroporto de Dublin, diz pai

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A estudante Danielle da Silva Bezerra, 30, desembarcou no aeroporto de Dublin, na Irlanda, nesta quarta-feira (31), na expectativa de retomar seus estudos e reassumir seu posto de atendente em uma lanchonete da cidade. A brasileira, no entanto, foi detida pelas autoridades locais ainda no terminal de passageiros e agora aguarda a deportação para a Alemanha.

De acordo com Luiz Carlos Bezerra, 63, pai de Danielle, a estudante está presa em uma sala do aeroporto sem direito a comunicação com o Brasil. "Soube pelo núcleo de atendimento brasileiro da embaixada que ela só veio comer um sanduíche hoje à tarde, depois de 24 horas sendo tratada como uma bandida", diz.

O aposentado que mora com a mulher, outra filha e a neta, que é filha de 14 anos de Danielle, em Sobradinho (DF), afirma que as primeiras informações dão conta de que a estudante foi detida porque "tinha pendências com a escola onde estudava".

Danielle foi morar em Dublin em outubro de 2016. Na cidade, ela dividia o tempo entre os estudos da língua inglesa e o trabalho, primeiro como babá e mais recentemente como atendente de lanchonete.

"Ela nunca havia tido nenhum problema, tanto que havia pago mais um semestre de curso para aperfeiçoar o inglês", diz Bezerra.

No Natal, a estudante voltou para casa para passar as festas de fim de ano e as férias de janeiro com a família. "A minha esposa está muito nervosa e a filha dela também, porque não sabe ainda o que realmente está acontecendo com a mãe", afirma o aposentado.

Em nota, o Itamaraty informou que até o início desta noite não obteve informações sobre o caso de Danielle, mas que "vai acionar a embaixada brasileira em Dublin".

Procurada, a Embaixada da Irlanda no Brasil ainda não se posicionou sobre o assunto.

PRISÃO

Em julho do ano passado, Paloma Aparecida Carvalho, 24, foi presa em Dublin quando foi visitar amigos que vivem no país. Após cerca de uma hora de conversas com funcionários da imigração do aeroporto, foi enviada à prisão, onde teve que passar a noite e também a maior parte do dia seguinte.

"Foi uma humilhação inacreditável. Não desejo para ninguém o que aconteceu comigo. Fiquei sem comer nem dormir por todo o tempo na cadeia. Não conseguia e ainda não consigo entender exatamente o porquê de terem feito isso comigo", disse Paloma à Folha.

Carregando passaporte, passagem de saída (marcada para 25 de setembro), 1.100 (cerca de R$ 4.000) e contatos de dois moradores locais em cujas casas ficaria hospedada, ela esperava entrar com tranquilidade no país. Não foi o que aconteceu.

Ao entrar na prisão de Dóchas, deparar-se com o aparelho de raio-x e ao passar pela clássica sessão de fotos direcionada a detentas, a ficha caiu: ela estava sendo presa.

"Me colocaram em uma salinha comprida, bem estreita, e com chão molhado. E então me pediram para tirar toda a minha roupa. Tive que ficar pelada para mostrar que não estava carregando nada. Eles pegaram meus pertences e me deram um saco com roupa de cama, copo, pijama, toalha."

Na época, o Departamento de Justiça e Igualdade da Embaixada da Irlanda informou, por meio de nota, que não faz comentários sobre casos individuais e que o país opera um sistema de imigração justo, seguro e efetivo e, de fato, o sistema irlandês de imigração é um dos menos onerosos para os visitantes.

Ainda segundo o texto, os oficiais de imigração respeitam a dignidade de todas as pessoas com quem se envolvem e desempenham suas funções com profissionalismo. É igualmente importante que as pessoas que procuram entrar no Estado forneçam informações precisas e completas sobre o propósito de sua entrada."

A embaixada do Brasil na Irlanda também enviou um posicionamento sobre o tema.

"No caso específico da senhora Paloma Carvalho, o Consulado foi contatado pela senhora Karin Muller-Wieland, para quem a Senhora Paloma teria prestados serviços de 'au pair' (babá). Na ocasião, representante da embaixada explicou-lhe que a Irlanda tem soberania sobre seu território e, portanto, detém o direito de decidir sobre a recusa de entrada de pessoas no país, de forma discricionária.

Salientou, ainda que a embaixada, por diversas ocasiões, já registrou sua posição de desacordo com a prática de envio de cidadãos brasileiros inadmitidos a centros de detenção. Por fim, a embaixada registra que a atuação contra a prática denunciada pela senhora Karin Muller-Wieland prosseguirá pelos canais diplomáticos."

Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores, disse que está solicitando à embaixada brasileira em Dublin informações sobre o caso.

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