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Servidor e mais 8 suspeitos são presos por desvio de remédios contra câncer

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um servidor público e mais oito pessoas foram presas nesta quarta-feira (31) sob a suspeita de participação em um esquema de desvio de medicamentos de alto custo para o tratamento de câncer que movimentou cerca de R$ 16,5 milhões.

As prisões foram deflagradas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público de São Paulo, e fazem parte da operação Medlecy 2.

O nome da operação faz referência à empresa de fachada criada pela organização criminosa para operar o esquema de desvio e venda dos medicamentos para o mercado.

Os nove mandados de prisão e outros 16 de busca e apreensão foram cumpridos nos Estados de São Paulo (Araraquara, Bauru, Guarulhos, Osasco e São Paulo), Goiás (Goiânia), Espírito Santo (Colatina) e no Distrito Federal (Brasília).

Segundo o Gaeco, o grupo passou a ser investigado em abril de 2015. O esquema consistia na obtenção de medicamentos por meio de furto, roubo e desvios em órgãos públicos para, na sequência, serem vendidos para clínicas e hospitais por meio de uma empresa de fachada, a Medlecy.

As vendas eram realizadas num escritório sediado na cidade paulista de Bauru, onde atuavam os líderes da organização.

Após um ano de investigação e monitoramento, o Gaeco deflagrou a primeira fase da operação. Na ocasião, ofereceu denúncia à Justiça contra 15 suspeitos e cumpriu 12 mandados de prisão, além de ter feito 37 buscas em endereços dos envolvidos. Tambem foi solicitado sequestro de bens dos suspeitos.

Os investigados na primeira etapa estão respondendo a processo na 3ª Vara Criminal de Bauru. Oito dos 12 presos continuam na cadeia.

SERVIDOR PÚBLICO

As investigações também apontaram a participação de um servidor público do governo do Estado paulista na quadrilha. Trata-se de um funcionário do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na zona oeste da capital paulista.

O envolvimento do servidor na quadrilha foi descoberto após o Gaeco detectar que algumas caixas dos medicamentos de alto custo recuperadas durante o início das investigações haviam sido vendidas à Secretaria de Estado da Saúde para o tratamento de câncer. Pelos valores da aquisição, cada caixa custava cerca de R$ 8.000.

Foi desta forma que a atuação do servidor público, que trabalha como motorista do Emílio Ribas, foi descoberta. Segundo as investigações, o servidor teria recebido R$ 125 mil em depósitos bancários entre os meses de abril e maio de 2016 para fornecer os medicamentos à organização.

Os investigados vão responder na Justiça por organização criminosa, crime contra a saúde pública e receptação dolosa qualificada. Todos os suspeitos serão levados à capital paulista, onde as investigações estão concentradas.




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