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Facções crescem com membros jovens e crimes cruéis no Ceará, diz sociólogo

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THAYS LAVOR

FORTALEZA, CE (FOLHAPRESS) - Para o sociólogo César Barreira, professor da Universidade Federal do Ceará, a facção Guardiões do Estado, que teria sido responsável pela chacina que deixou 14 mortos em festa em região periférica de Fortaleza neste sábado (27), apresenta características distintas de outras com as quais disputa o espaço de tráfico na região.

"Se formos mapear, temos no Ceará as seguintes facções: Comando Vermelho , PCC, Família do Norte, Guardiões do Estado e Amigos dos Amigos. Essas duas ultimas estão se construindo com pessoas muito jovens e os crimes têm muitos requintes de crueldade", diz Barreira, que coordena o Laboratório de Estudos da Violência da universidade.

Segundo ele, ataques como o de sábado decorrem de "disputa das facções por delimitação e consolidação de territórios e poderes que ainda não estão definidos". Nesse sentido, ele acredita que a atuação do governo do Ceará tem falhado não apenas no mapeamento das tensões, mas também ao resvalar em declarações inflamatórias.

"O governo precisa aceitar que existe essa penetração das facções, e investir nas suas forças de investigação e de inteligência. Sabe-se que o evento desta madrugada foi orquestrado pelas redes sociais. Sendo assim, investimentos em antecipar essas ações são necessários. Esses grupos já existem há três ou quatro anos no Ceará, isso é de conhecimento do próprio Estado, pois identificamos isso no censo que fizemos em 2012. E essas questões vêm se agravando ao longo dos anos, principalmente em 2017", diz.

"A declaração da política de enfrentamento proferida pelo [secretário de Segurança] André Costa logo no início de sua gestão, quando afirmou que bandido terá Justiça ou cemitério, acirrou muito os ânimos e os bandidos entraram em confronto direto", conclui.

CHACINA

No sábado, por volta das 00h30, um grupo em três carros abriu fogo contra uma festa popularmente conhecida na região como Forró do Gago. Homens da GDE teriam como alvos traficantes do CV que estariam no local. Segundo testemunhas, a ação levou pânico ao bairro. Pessoas sem qualquer relação com a disputa do tráfico foram atingidas.

A ação foi a maior chacina da história do Ceará. Além das 14 pessoas que morreram, outras 16 ficaram feridas. Ao menos oito pessoas baleadas permanecem no hospital para atendimento. Seu estado de saúde é estável e estão sendo feitas avaliações com relação à necessidade ou não de cirurgias.

A polícia prendeu ainda no sábado um suspeito de participar da chacina. Há a suspeita de que pelo menos 15 homens fortemente armados tenham participado da ação.

VIOLÊNCIA

O Ceará é um dos Estados que apresentam piores índices de violência no Brasil.

No relatório Atlas da Violência 2017, divulgado em junho do ano passado, o Ceará aparece com a terceira mais alta taxa de homicídios, com 46,75 por 100 mil habitantes. Apenas Sergipe (58,09) e Alagoas (52,33) contam com índices piores. O melhor índice é o de São Paulo, com 12,22.

Entre as capitais, Fortaleza conta com a segunda maior taxa de homicídios, com 66,72, perdendo somente para São Luis (MA), com 70,58.

Elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão ligado ao governo federal, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONG especializada no assunto, o estudo analisou dados do SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade), do Ministério da Saúde, que traz informações sobre incidentes até o ano de 2015.

Em 2015, houve, no Brasil, 59.080 homicídios, o que equivale a uma taxa de 28,9 por 100 mil habitantes.

Divulgado em outubro de 2017, o IHA (Índice de Homicídios na Adolescência), métrica elaborada pelo Unicef, o Observatório de Favelas e a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, do governo federal, aponta o Ceará como o Estado em que mais adolescentes são assassinados (8,71 a cada 100 mil), ao passo que Fortaleza lidera o ranking entre as capitais, com 10,74. São Paulo tem o terceiro índice mais baixo do país, de 1,6, acima apenas de Roraima (1,4) e Santa Catarina (0,9). Na capital paulista, o IHA é 2,2.

A medição é feita com dados de 2014, os últimos disponíveis, e considera apenas as 300 cidades do país com mais de 100 mil habitantes.

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