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Zoológico de SP vai isolar macacos em cativeiro para evitar febre amarela

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THIAGO AMÂNCIO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Zoológico de São Paulo vai isolar os macacos que vivem em cativeiro no local para evitar o contágio pelo vírus da febre amarela e tentar quebrar o ciclo da doença entre os animais do órgão, que fica dentro do Pefi (Parque Estadual Fontes do Ipiranga), onde foi confirmada a morte de um bugio contaminado.

O parque e as instituições que ficam dentro dele -Jardim Botânico, Zoo Safári e Cientec (Parque de Ciência e Tecnologia da USP), além do zoológico- foram fechados nesta terça-feira (23) por tempo indeterminado.

No total, em cativeiro, há 173 primatas de 20 espécies no zoológico, segundo censo feito no ano passado. 18 dessas espécies, com 165 animais, são neotropicais (nativas da América Central ou do Sul), e mais suscetíveis à doença, uma vez que têm baixa ao vírus, de origem africana. As outras duas espécies, chimpanzés e orangotangos, estão menos expostas, segundo veterinários do zoológico.

A ideia é isolar esses primatas, segundo Fabrício Rassy, chefe da divisão de veterinária do zoológico. Os que ficam em ambientes mais abertos, como numa ilha que há no local, serão levados a espaços fechados, "fazer todo o perímetro do recinto ficar rodeado por tela para evitar o contato com o mosquito". Os que já ficam em jaulas também terão esses espaços telados.

MACACOS LIVRES

Esse controle não é possível, entretanto, entre os animais que vivem livres no Pefi, como o bugio cuja morte foi confirmada por febre amarela. O animal foi encontrado morto no último dia 10 de janeiro, e o diagnóstico de febre amarela foi confirmado na noite de segunda-feira (22), o que acarretou o fechamento do parque e dos órgãos que funcionam no local.

"Os de vida livre, a princípio, não é possível proteger, porque a gente não tem como cercar ou telar ou ter uma ação efetiva para proteger eles no Pefi, no parque, em vida livre. O que a gente tem é uma ação de vigilância para tentar agir preventivamente", diz Caio Motta, responsável pelos projetos com animais livres.

Segundo o zoológico, há 80 bugios livres na área do parque, monitorados. Segundo Motta, pesquisa recente fala em até 450 animais desta espécie na região.

Desde 2013, funcionários monitoram, entre outras doenças, a possibilidade de contágio por febre amarela. Desde que o Horto, na zona norte de SP, foi fechado em outubro do ano passado, o monitoramento passou a ser mais intensivo: duas vezes por semana, funcionários percorriam todo o perímetro do parque em busca de animais mortos.

"É comum a gente encontrar um animal morto porque animais morrem em vida livre. Mas esse foi o primeiro caso positivo [para febre amarela]", diz Motta. "Tem risco, porque a partir de agora a gente sabe que o vírus está circulando nessa área."

O zoológico estima que cerca de três quartos dos funcionários já estejam imunizados contra a febre amarela. Os que ainda não estão, foram encaminhados para vacina hoje e estão afastados do trabalho.

INFORMAÇÃO

Na extensa área residencial no entorno do parque, pouca gente sabia que o vírus da febre amarela já circulava na região, segundo moradores com quem a Folha conversou na manhã desta terça.

"Chegou aqui? Não sabia", diz Gerson Saraiva, 57, que trabalha num centro de apoio a imigrantes na região. "Fico preocupado, sim, porque é um parque tradicional, onde vai muita gente."

"Soube agora, que mandaram pelo WhatsApp. Não estava sabendo, ninguém avisou nada", diz Thiago Rodrigues, 23, que trabalha em um salão e vive há 15 anos no bairro. "É correr para vacinar agora. Qualquer mosquitinho que vê, já fica nervoso. E tem pouco mosquito aqui...", brinca.

A aposentada Lan Hee, 62, soube pelos jornais durante a manhã e foi buscar informações sobre a vacina na UBS Água Funda, a 1 km do parque. "Sou vacinada há nove anos, desde que fui para a Coreia, onde exigiam a vacina. Minha preocupação é com meu neto, de dois anos e meio, que vem me visitar. Fico muito nervosa, claro", afirma.

A Água Funda não fornece vacina contra a febre amarela, mas, diante da alta procura, já possui um folheto com três endereços de postos de saúde próximos onde a vacina é aplicada.

Num deles, a UBS Ceci, a 3 km dali, cerca de 40 pessoas tentavam se vacinar por volta das 12h30. Mesmo depois que funcionários disseram que o estoque de vacinas já tinha acabado, um grupo permaneceu na fila. Arlete Maria Rega acompanhava o filho. Para conseguir uma senha para uma das filhas, chegou às 3h20, e conseguiu vaciná-la às 9h30. "Tem que trazer água, comida, tudo. Não dá para contar com ninguém. Não tem informação, num dia distribuem 100 senhas, no outro distribuem 900".

A autônoma Gabriela Gomes, 27, diz que "já estava ficando desesperada [ao ver a chegada do vírus na cidade], agora piora ainda." Ela foi vacinar duas crianças. "Ninguém sabe de nada, ninguém dá informação, deveria ser mais claro. Preciso trabalhar, não posso ficar o dia todo aqui."

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