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FBI interroga secretário de Justiça americano sobre Rússia

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ESTELITA HASS CARAZZAI

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Um dos auxiliares mais próximos de Donald Trump, o secretário da Justiça dos Estados Unidos, Jeff Sessions, foi interrogado pelo FBI na investigação que apura a influência russa nas eleições americanas de 2016 -em mais um movimento que aproxima o inquérito do presidente republicano. É o primeiro membro do gabinete de Trump a depor formalmente ao FBI.

O interrogatório ocorreu na semana passada. A notícia foi dada pelo jornal "The New York Times", nesta terça (23), e confirmada pelo Departamento de Justiça americano, o DoJ.

Sessions foi questionado durante horas pelo procurador especial Robert Mueller, que conduz a investigação. Ele apura se houve influência de agentes russos nas eleições americanas de 2016, nas quais Trump foi eleito, e se a campanha do republicano se beneficiou de informações repassadas pelo país para vencer a votação.

O inquérito do FBI é considerado uma ameaça ao governo Trump, pelo potencial de demonstrar crimes como conspiração, obstrução de justiça e abuso de poder. Por enquanto, apesar de antigos integrantes da campanha do republicano terem sido indiciados ou admitido culpa em contatos com russos, não houve conclusões que incriminassem o presidente. Trump nega que tenha feito conluio com o país.

Um dos membros mais ativos na eleição de Trump, Sessions já admitira ao Congresso que ouviu sugestões de integrantes da campanha sobre contatos com os russos.

Também pesam contra Sessions suspeitas de que ele tenha sido instado por Trump a permanecer à frente das investigações do FBI sobre o caso, a fim de protegê-lo. Tanto a Casa Branca quanto o secretário negam as suspeitas.

Não se sabe o que Sessions afirmou durante o interrogatório ao FBI, que está sob sigilo. A investigação de Mueller continua em andamento.

O QUE SE SABE

Até agora, Sessions admitiu publicamente que o assessor George Papadopoulos, que trabalhou com Trump, sugeriu um encontro entre o então candidato e o presidente Vladimir Putin.

O secretário, porém, disse que "encerrou" o assunto. "Eu deixei claro que ninguém estava autorizado a representar a campanha diante do governo russo, ou de qualquer outro governo estrangeiro, para qualquer tema", afirmou, durante depoimento ao Congresso em novembro passado.

Papadopoulos foi um dos ex-assessores de Trump que se declarou culpado ao FBI, por ter dado falso testemunho sobre seu contato com russos. O mesmo fez o ex-assessor de Segurança Nacional Michael Flynn, que chegou a integrar o governo Trump.

O FBI também já indiciou o ex-diretor de campanha de Trump, Paul Manafort, por lavagem de dinheiro e fraude tributária em serviços prestados ao ex-presidente da Ucrânia Viktor Yanukovitch. Seus vínculos com os russos ainda estão sob investigação.

Sessions, 71, assumiu a pasta da Justiça no início do governo Trump. Antes, foi senador republicano pelo Alabama, Estado em que também ocupou o cargo de Procurador-Geral de Justiça.

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