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Regras de Doria vão 'ferir de morte' modelo inovador, diz diretor da Uber

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THAIZA PAULUZE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - São Paulo vive uma "imobilidade" urbana que vai piorar com as novas regras da gestão João Doria (PSDB) para viagens por aplicativos na cidade, afirmou Daniel Mangabeira, diretor da Uber Brasil, no 2º Seminário Mobilidade Urbana, realizado pela Folha de S. Paulo, nesta segunda-feira (22), no teatro Unibes Cultural, na capital paulista.

Segundo Mangabeira, cerca de 50 mil motoristas não prestarão mais serviços de transporte particular –estima-se entre 150 mil e 240 mil veículos de aplicativos na capital.

As novas regras, que entraram em vigor no dia 10 deste mês, exigem que motoristas façam cursos preparatórios, inspeção nos veículos, andem com identificação visual no painel e obedeçam regras de etiqueta e de vestimenta.

Outro ponto polêmico é a proibição de carros com placas de outras cidades de pegar passageiros dentro da cidade paulistana. As penas previstas vão de R$ 2.500 ao descredenciamento na prefeitura.

"Regras são bem-vindas, mas não podem significar engessamento, sob pena de ferir de morte um modelo inovador, que depende de dinamismo e eficiência para funcionar", afirmou Mangabeira.

São Paulo foi a primeira cidade do Brasil a regulamentar transportes como o da Uber, em 2016. Mas, para o diretor da empresa, a proposta da administração municipal atual é um "modelo a não seguir".

Isso porque, segundo ele, a proposta desencorajaria novos motoristas a se cadastrarem na plataforma e os que dirigem esporadicamente, a se adequarem. "Aqueles que dirigem menos de dez horas por semana, 55% da plataforma, não irão esperar semanas para receber um certificado com as mesmas informações que já estão no aplicativo, outro para o veículo, e pagar cursos e vistorias."

Para ele, burocracias redundantes e desnecessárias afetam negativamente os trabalhadores e, como consequência, os usuários. "A Uber já impunha critérios para entrar na plataforma e cumpria seu propósito."

POSSE E ACESSO

Na contramão de uma legislação municipal mais exigente para esses aplicativos, Mangabeira diz acreditar que a solução para a mobilidade urbana da cidade é substituir a lógica da posse pela a do acesso.

"É preciso trocar a necessidade de possuir um veículo para a alternativa de poder acessar um carro a qualquer momento", afirmou, criticando o mau uso do carro particular.

Para ele, é preciso ocupar mais racionalmente os carros, diminuindo sua necessidade nas ruas –hoje, há uma média de utilização de 1,2 indivíduo por veículo.

Esse é ainda um problema de ordem econômica, disse o diretor da Uber. "Calcula-se que o impacto do congestionamento em São Paulo seja da ordem de R$ 40 bilhões."

A próxima geração, no entanto, está invertendo a equação. "Se eu consigo acessar um carro num estalar de dedos –na média, em São Paulo, é possível pegar um Uber entre 3 e 5 minutos–, por que eu vou comprar um carro?"

OUTRO LADO

A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes informou, em nota, que a nova regra tem como propósito garantir a segurança e a qualidade do serviço, tanto para condutores cadastrados em aplicativos quanto para passageiros, além de proporcionar ambiente de equilíbrio ao mercado.

Segundo o órgão, "a nova regulamentação foi publicada em julho de 2017, e tanto as operadoras do setor quanto os condutores tiveram um prazo de seis meses de adaptação".

A secretaria informou ainda que, após 15 dias da entrada em vigor da novas regras, terá início a fiscalização e a punição das irregularidades.

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