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SP confirma três mortes por reação à vacina da febre amarela

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THIAGO AMÂNCIO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Três pessoas morreram no Estado de São Paulo por reação à vacina da febre amarela, segundo balanço divulgado no fim da tarde desta sexta-feira (19) pela Secretaria de Estado da Saúde de SP.

As mortes aconteceram no período de um ano, desde janeiro de 2017. Segundo o governo, as vítimas, todas adultas e com menos de 60 anos, não tinham registro de doenças prévias, e as mortes por reação vacinal foram confirmadas após "análises caso a caso". Um morreu em Perus, na zona norte da capital, outro em Franco da Rocha (Grande SP) –ambos vacinados em outubro– e um terceiro morreu em Matão (a 305 km da capital), em fevereiro do ano passado.

Outras seis mortes são investigadas pelo governo do Estado por suspeita de relação com a vacina.

Pela manhã, a secretaria municipal de Saúde de SP divulgou que duas pessoas morreram na capital por reação à vacina, e outras três mortes estão sendo investigadas. Um dos casos em investigação seria de uma idosa de 76 anos que, segundo a secretaria, vacinou-se em Ibiúna, na Grande SP, onde possui um sítio, e morreu oito dias depois, no último dia 16, na capital. Este caso, no entanto, ainda está em investigação. Conforme a Folha mostrou, é precário o controle da vacinação de idosos, grupo que corre mais risco de desenvolver reações adversas.

A vacina contra a febre amarela é considerada segura. É feita com o vírus vivo atenuado, que estimula a produção de anticorpos contra a doença. Mas pessoas recém-vacinadas podem apresentar reações adversas. Dores no corpo, de cabeça e febre podem afetar entre 2% e 5% dos vacinados nos primeiros dias após a vacinação e podem durar entre 5 e 10 dias.

Reações adversas mais graves que poderiam levar a mortes, no entanto, são raras. A doença viscerotrópica aguda, causa da morte das três vítimas confirmadas até agora, é uma síndrome hemorrágica com sintomas semelhantes à própria febre amarela e sua incidência é de um caso a cada 400 mil doses aplicadas, segundo estimativa da Fiocruz (a doença pode ocorrer até 10 dias após a vacinação). Segundo a secretaria de saúde, o quadro pode evoluir para insuficiência renal, hepática e cardíaca, problemas de coagulação, hepatite fulminante e morte.

Só na capital, 1,8 milhão de pessoas foram vacinadas (1,3 milhão somente na zona norte).

Ainda de acordo com a Fiocruz, doenças neurológicas como meningoencefalite (inflamação que envolve o cérebro) ou a síndrome de Guillain-Barré podem ocorrer em um caso a cada 100 mil doses de vacina dadas.

Na avaliação do médico infectologista Artur Timerman, as mortes, se de fato tiverem sido causadas por reação à vacina, não são motivo para que as pessoas deixem de se vacinar. "De forma alguma se contraindica a manutenção da vacinação de pessoas na cidade de São Paulo", afirma. "O risco da doença é muito maior do que os riscos da vacina".

Para o infectologista e professor da USP Esper Kallas, o número de mortes está dentro do esperado, em vista do grande número de pessoas vacinadas na capital paulista. "Não consigo ver uma situação diferente do que está acontecendo", diz. "Todas as vezes que você vacina milhões de pessoas, isso pode acontecer. Por isso, há um cálculo de custo benefício da vacinação".

"[A triagem] deveria ser um negócio mais criterioso? Deveria. Mas tem gente que omite informações, não fala o que está tomando", afirma o pesquisador.

Não há registro de febre amarela silvestre contraída na cidade de São Paulo. De janeiro de 2017 até a última quinta (18), 23 casos foram confirmados na cidade (com 12 mortes até o momento), todos importados de outros locais –10 casos vieram de MG, e outros 13 do interior de SP (um de Monte Alegre do Sul, oito de Mairiporã, três de Atibaia e um de Caieiras), segundo a secretaria municipal de Saúde.

Em todo o Estado, 81 pessoas foram infectadas e 36 morreram, segundo balanço divulgado pelo Estado na sexta-feira (19).

CAMPANHA

Diante da alta procura, a campanha de vacinação foi antecipada para a próxima quinta-feira (25), numa ação que se estenderá até 17 de fevereiro. Em São Paulo, 54 cidades deverão receber as doses fracionadas da vacina, que valem por oito anos, para imunizar 8,3 milhões de pessoas.

Na capital, a vacinação acontece a partir de sexta (26) –25 é feriado na cidade–, e moradores de 16 distritos das zonas sul e leste devem ser vacinados. A prefeitura ainda quer incluir, até o final de fevereiro, moradores das regiões oeste e central da cidade.

A campanha emergencial foi anunciada inicialmente para 3 de fevereiro, mas foi antecipada diante do grande volume de pessoas que têm procurado a vacina nos postos do Estado –primeiro para o dia 29, depois para 25.




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