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Algoritmo aumenta integração de refugiados nos países que os acolhem

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FERNANDO TADEU MORAES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para aqueles que são obrigados a fugir de seus países devido a guerras, crises humanitárias e perseguição política ou religiosa, encontrar um local seguro onde recomeçar a vida já constitui enorme alento.

Mas o desafio enfrentado pelos refugiados não acaba na chegada a um novo país –ao contrário, ele apenas começa. Aprender o novo idioma e encontrar um emprego tornam o processo de integração longo e dificultoso.

De acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira (18) na revista científica "Science", um fator crucial para que refugiados atinjam a autossuficiência é o local onde eles são reassentados nos países anfitriões –a nova cidade pode ser tanto um obstáculo como um incentivo para o recém-chegado se desenvolver, dependendo de suas características.

Assim, para aumentar as chances de integração dessas pessoas, pesquisadores da Universidade Stanford e do Dartmouth College, nos EUA, e do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, desenvolveram um algoritmo que estabelece a melhor combinação entre possíveis locais e características dos refugiados.

Jens Hainmueller, da Universidade Stanford e um dos autores do estudo, disse à reportagem que a primeira motivação para a pesquisa foi, "a gravidade da crise global de refugiados, que tem sobrecarregado a capacidade de absorção de muitos países". Segundo as Nações Unidas, no fim de 2016 (último dado disponível), havia 22,5 milhões de refugiados no mundo, o maior número já registrado.

"Além disso", prossegue o pesquisador, "muitos programas nacionais de reassentamento tem como um de seus objetivos ajudar os recém-chegados a se sustentarem economicamente. Apesar disso, tais programas dão pouquíssima atenção a uma das primeiras decisões políticas tomadas no processo de reinstalação: onde essas pessoas irão ser realocadas".

De fato, atualmente, Estados Unidos e Suíça –os países analisados na pesquisa– não levam em conta esse aspecto em suas políticas para refugiados. Nos EUA, eles são enviados para o local que, naquele momento, tenha capacidade para abrigá-los. Na Suíça, o governo os distribui de forma aleatória e proporcional pelo país.

"Ao analisar dados nos EUA e na Suíça, descobrimos que a colocação geográfica dos refugiados dentro de um país anfitrião teve um impacto significativo em suas perspectivas de emprego e, além disso, diferentes locais pareciam ser melhores para diferentes tipos de refugiados. Isso nos mostrou que seria possível aprimorar a integração dos refugiados por meio de um algoritmo de atribuição alimentado pelos dados históricos", disse Hainmueller.

Para construir o algoritmo, os pesquisadores utilizaram inicialmente um modelo baseado em aprendizado de máquinas e dados dos últimos anos para calcular a probabilidade de um refugiado sozinho -dadas as suas características, como língua e formação- encontrar emprego em cada um dos possíveis locais de reassentamento dentro do país anfitrião.

Depois, a equipe calculou a probabilidade de ao menos um membro de uma família refugiada encontrar trabalho em cada lugar disponível. A partir disso, eles combinaram cada caso de refugiado recebido pelos dois países com a localização que oferece a maior probabilidade de emprego, levando em consideração as restrições existentes, como o número máximo de reassentamentos em cada lugar.

Para treinar o algoritmo, os cientistas o alimentaram com registros de 33.782 refugiados realocados nos EUA de 2011 a 2016 e de 22.159 refugiados que chegaram à Suíça de 1999 a 2013.

Os possíveis ganhos obtidos com a tecnologia foram notáveis. Nos EUA, comparado com os dados históricos reais, a taxa de emprego dos refugiados, caso o algoritmo tivesse sido usado, subiria de 34% para 48%, em média -um ganho de 41%. Na Suíça, por sua vez, essa taxa passaria de 15% para 26%, em média, um aumento de 73%.

"Nossos resultados mostram que a implementação do algoritmo tem potencial para melhorar substancialmente a integração dos refugiados às novas sociedades", disse o pesquisador de Stanford. "Por ser projetado para aproveitar os dados já existentes, ele poderia ser implementado imediatamente, sem os obstáculos financeiros e políticos que podem atrapalhar outras intervenções governamentais".

Agora, os pesquisadores trabalham para estabelecer parcerias com governos para testar o algoritmo e comparar seu desempenho em tempo real com os procedimentos atuais de atribuição de locais para os refugiados.

"Para isso, estamos buscando recursos para desenvolver uma interface de usuário, para que a tecnologia possa ser usada por agentes responsáveis por esse processo", completa Hainmueller.




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