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Epicentro de febre amarela em SP, Mairiporã decide vacinar só morador

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FERNANDA PEREIRA NEVES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após uma invasão de moradores de cidades vizinhas atrás de vacina contra febre amarela, o município de Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo, decretou estado de calamidade e decidiu autorizar a imunização só de pessoas que moram no município.

Nesta quarta-feira (17), o posto de saúde central amanheceu lotado e, em menos de duas horas, distribuiu 1.003 senhas, sendo a maior parte das pessoas vindas de São Paulo, Guarulhos, Itaquaquecetuba, entre outras.

Moradora do Jardim Palmira, em Guarulhos (Grande SP), a auxiliar administrativa Aline Diniz, 28, diz que foi para um posto próximo de sua casa às 5h30 desta quarta (17), mas não conseguiu uma das 200 senhas distribuídas, então decidiu ir para Mairiporã com o filho e mais dois parentes. "Sou senha 994, mas está indo rápido. Lá [em Guarulhos] não andava".

A dona de casa Rosa Pysklevitz, 56, também estava na fila com o marido e dois filhos adolescente após encontrar longas filas em postos da região de Indianópolis, na zona sul de São Paulo. Chegaram às 8h30 em Mairiporã e pegaram a senha 960. "Teve alerta geral, então vamos tomar", afirmou ela, que mora perto do aeroporto de Congonhas.

Segundo o prefeito de Mairiporã, Antônio Aiacyda (PSDB), o mesmo já tinha ocorrido no dia anterior, quando apenas 12 das 800 pessoas vacinadas no distrito de Terra Preta eram da cidade. Com isso, Mairiporã já contabiliza 97 mil vacinas aplicadas desde o início da campanha, em agosto de 2017, apesar de ter uma população de 95 mil.

"Não dá para vacinar quem vem do Morumbi ou da Sé, que nem está exposto a risco, não está em área de mata. Isso é pânico. Nunca nos faltou vacina, nós temos vacina, mas não posso assumir essa logística de outros municípios. Não tenho infraestrutura e recursos humanos para isso", afirma a secretária da Saúde de Mairiporã, Grazielle Bertolini.

No Facebook, são encontrados relatos de pessoas que orientam a busca pelos postos de Mairiporã, alegando que só conseguiram se vacinar na cidade, após várias buscas em São Paulo. A prefeitura do município diz ter flagrado até vãs vindas de Guarulhos para receber a dose.

"Essa situação está prejudicando o andamento do serviço no dia a dia dos nossos postos, a grávida que vai fazer pré-natal não consegue entrar no posto, a criança que vai fazer policultura, o idoso que vai na consulta da pressão alta e diabetes", aponta Bertolini.

Nesta quarta (17), as pessoas de outras cidades que conseguiram a senha ainda receberam a dose, mas, ao término dos números de controle, apenas moradores eram aconselhados a permanecer e esperar para saber se haveria uma nova distribuição de senhas. Com isso, houve discussões e protestos.

A partir desta quinta (18), os quatro postos da cidade -central, Terra Preta, Capoavinha e Fernão Dias- vão exigir a apresentação do cartão de saúde municipal para aplicar a vacina contra febre amarela. Morador que não possui o documento poderá apresentar o carnê de IPTU.

A vacinação 24 horas, que estava sendo feita nas últimas semanas em dois pontos da cidade, já tinha sido suspensa na última segunda (15). As ações da prefeitura agora ficarão voltadas a um mutirão que deve percorrer casa a casa, começando pelos bairros onde já houve casos da confirmados da doença.

EPIDEMIA

Ao todo, Mairiporã possui 57 casos suspeitos de febre amarela, sendo que 13 já foram confirmados e, desses, seis resultaram em óbitos. Entre os que ainda aguardam confirmações, há dez mortes. Segundo a prefeitura, todos os casos foram registrados a partir de 13 de dezembro, tendo ocorrido o pico nos primeiros dias de 2018.

De todos os casos confirmado até o momento, 80% seriam de pessoas que moram na cidade -as outras seriam visitantes durante as festas de final de ano. O holandês, que se tornou o primeiro caso exportado pela cidade ainda não está contabilizado. Segundo a administração local, não foram levantados dados sobre a viagem dele ainda.

Com o número de casos, a cidade decretou calamidade a partir de 12 de janeiro, um dia após a confirmação dos casos pelo Adolfo Lutz. O documento serve para regulamentar ações emergenciais como contratações de pessoal; compra de insumos, como repelente e material educativo; gastos com deslocamento de funcionários; entre outros.

"O que é uma calamidade? É um estado de excepcionalidade. E estamos passando sim por um estado de excepcionalidade. Nunca tivemos no nosso município febre amarela, ter hoje 13 casos confirmado é uma epidemia para gente, é uma situação epidêmica", afirma a secretária.

O decreto também prevê o ingresso forçado nas casas em que não for autorizada a entrada para busca de focos do Aedes Aegypti. A ação busca remover focos de criadouro do mosquito, sobretudo para prevenir a urbanização da doença, afirma Bertolini. "Não temos casos urbanos desde 1942, mas o Aedes é um vetor que circula hoje em todo o Estado".

VIDA NORMAL

A menos de 50 metros do principal posto de saúde, o movimento parece inalterado no parque linear de Mairiporã. Na manhã desta quarta (17), havia pessoas caminhando, crianças brincando e famílias fazendo piquenique sob as árvores apesar das faixas de alerta espalhadas pelo local.

A assistente administrativa Marcia Lomeu, 37, estava com o marido e o filho de 1 anos e 4 meses no parque e afirmou não ter medo da doença apesar de conhecer um morador da cidade que morreu em decorrência da doença. "Estamos vacinados", afirmou.

A mesma segurança demonstrou o casal Célia e Ítalo Cúrcio, ambos de 61 anos, que passeavam pelo local com dois netos pequenos. "Ficamos apreensivos e preocupados porque sabemos que foi descuido das nossas autoridades. Muitos especialistas já apontavam para o risco. Mas estamos tranquilos porque sabemos que a vacina é eficaz", disse Ítalo.

Moradores do bairro Parque Petrópolis, localizado na serra da Cantareira, também em Mairiporã, o casal afirma que já percebe, há alguns meses, a diminuição de macacos bugios da região. "É muito triste, era bem bonito ver eles na mata perto de casa", afirma Ítalo.

SÃO PAULO

Desde o ano passado, o Estado de São Paulo já teve 40 casos confirmados de febre amarela, sendo que 21 evoluíram ao óbito, segundo último balanço da Secretaria Estadual de Saúde.

Na capital paulista, a vacinação tem como público-alvo até o momento moradores de todos os distritos da zona norte; três distritos da zona sul (Parelheiros, Marsilac e Jardim Angela), além de parte do Capão Redondo (referência da UBS Luar do Sertão); e moradores do distrito Raposo Tavares, na zona oeste.

Apesar disso, a secretaria municipal afirma que houve um aumento significativo de procura pela vacina nas unidades de referência para o viajante, o que tem ocasionado desabastecimento pontuais e momentâneos. "Unidades que aplicavam em média 500 doses por mês, nos últimos dias estão vacinando em média mil pessoas por dia", afirma em nota.

A campanha na capital paulista será estendida no próximo dia 29, quando começarão a ser aplicadas as vacinas fracionadas (com 0,1 ml, e não 0,5 ml, como na padrão). Rio de Janeiro e Bahia também estarão na campanha emergencial.

Farão parte da ação preventiva os distritos Cidade Líder, Cidade Tiradentes, Guaianases, Iguatemi, José Bonifácio, Parque do Carmo, São Mateus e São Rafael, na zona leste. Capão Redondo, Cidade Dutra, Grajaú, Jardim São Luis, Pedreira, Socorro e Vila Andrade, na zona sul. Segundo a secretaria municipal, os moradores dos demais distritos devem aguardar orientações para buscarem a vacina nos postos.

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