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Recomendação da OMS indica 'excesso de zelo', diz Ministério da Saúde

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NATÁLIA CANCIAN

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A decisão da OMS (Organização Mundial de Saúde) de incluir todo o Estado de São Paulo no mapa das áreas de risco para febre amarela indica um "excesso de zelo" e "ampliação da cautela", informou o Ministério da Saúde nesta terça-feira (16).

Segundo o ministro da Saúde em exercício, Antônio Nardi, isso ocorre diante da impossibilidade de mapear, nos aeroportos, os locais de destino dos turistas que chegam ao Estado.

Na prática, a medida endurece as recomendações para os viajantes estrangeiros que pretendem visitar o Estado. Eles serão orientados a se vacinar contra a doença ao menos dez dias antes da viagem para qualquer área de São Paulo.

"É uma ampliação da cautela, um excesso de zelo que a OMS está colocando para que todos os viajantes internacionais que venham a São Paulo estejam vacinados", afirmou.

A medida foi adotada após conversas entre representantes da entidade, da secretaria de saúde de São Paulo e do ministério nesta segunda-feira (15).

Ele nega a possibilidade de mudança nas áreas de recomendação para vacinação devido ao alerta aos turistas. "As áreas determinadas para vacinação continuam as mesmas", afirma. "As determinações serão atualizadas conforme necessidade".

Além de São Paulo, a OMS passou a considerar como regiões de risco para febre amarela a porção norte do Rio de Janeiro, o sul da Bahia e todo o Espírito Santo.

Desde o ano passado, já estavam nessa lista todos os Estados do Norte e do Centro-Oeste, além de Maranhão, Minas Gerais e partes dos Estados da região Sul, de São Paulo, da Bahia e do Piauí.

AVANÇO DE CASOS

A justificativa é o aumento, nestas regiões, do número de epizootias (morte de macacos) e de casos de febre amarela em humanos.

Dados de novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde apontam que, desde julho, quando o país declarou o fim do pior surto de febre amarela já registrado, já foram confirmados 35 casos da doença. Deste total, 20 morreram.

Os casos ocorreram principalmente em São Paulo (com 20 confirmações neste período), Minas Gerais (11), Rio de Janeiro (3) e Distrito Federal (1).

Para comparação, no fim de dezembro, o país somava apenas quatro casos confirmados de febre amarela, o que indica um aumento de 775%. Há ainda 145 casos em investigação.

Inicialmente, ao comentar sobre o fracionamento da vacina contra a febre amarela, o ministro da Saúde em exercício chegou a falar na existência de um "surto" em alguns Estados. Questionado, porém, recuou e negou que essa seja a avaliação da pasta.

De acordo com Nardi, o ministério ainda não avalia o cenário como "surto", mas apenas como "aumento na incidência do número de casos".

"É um aumento da incidência de circulação viral. Tivemos 35 casos registrados da doença, e 20 óbitos, todos acompanhados e monitorados. E desta forma, uma situação dentro de um controle absoluto, com estratégia de controle do vetor, com investigação de epizootias e de casos", afirma.

O termo anterior, diz, só poderia ser usado em caso de "registro astronômico" de novos casos, o que não ocorre no momento, avalia.

FRACIONAMENTO ANTECIPADO

Ainda assim, a recente confirmação de novas mortes em São Paulo fez o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciar uma antecipação na campanha emergencial de vacinação contra a doença no Estado. Em vez do dia 3 de fevereiro, doses fracionadas (0,1 ml) da vacina serão aplicadas a partir do dia 29 deste mês em 54 cidades paulistas.

Nardi afirma que ainda a mudança nas datas está restrita a São Paulo, mas que a pasta deve apoiar caso haja decisão semelhante em outros Estados que participarão do fracionamento, como Rio de Janeiro e Bahia.

"Quando adotamos o calendário de fracionamento apresentado na semana passada, ele foi construído em conjunto. O Estado de São Paulo definiu que estará adiantando em parceria com os seus municípios e o ministério acata a definição. Se os três Estados propuserem o início da vacinação, ao ministério compete encaminhar os imunobiológicos e encaminhar as seringas para que essa vacinação seja realizada", afirma.

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