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Haiti convoca diplomata dos EUA para reclamar de declarações de Trump

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A declaração de Donald Trump chamando de "países de merda" Haiti e países da África levou o país a chamar nesta sexta-feira (12) o encarregado de negócios dos EUA em Porto Príncipe para uma reclamação formal.

O governo haitiano considerou a frase do presidente americano racista e "de maneira alguma refletem as virtudes da sabedoria, restrição e discernimento que devem ser cultivadas por qualquer alta autoridade política".

Em entrevista à rede de televisão NBC, o embaixador haitiano em Washington, Paul Altidor, exigiu desculpas da Casa Branca a seu país, o mais pobre da América Latina e que tem a maior parte da população negra.

"Esperamos que ele não tenha dito isso, mas, se disse, nós só esperamos que ele se desculpe, não só à comunidade haitiana, mas ao povo americano", disse, considerando as frases deploráveis e contraproducentes.

O xingamento foi feito enquanto Trump questionava a senadores por que o país deveria aceitar a chegada de mais haitianos e africanos. Ele negou nesta sexta (12) ter usado o palavrão no encontro.

Outro país a reagir, mas de forma menos enfática na linguagem diplomática, foi El Salvador. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do país da América Central exigiu "respeito por seu bravo e digno povo".

A condenação foi feita dias depois de Trump revogar a permanência a cerca de 200 mil salvadorenhos que foram aos EUA após os terremotos de 2001, que deixaram 1.200 mortos —eles terão até julho de 2019 para sair ou se regularizar de outra forma.

Houve também rechaço da União Africana e de países do continente, como Senegal e África do Sul. Já cidadãos da Noruega, citada como exemplo de imigrantes por Trump, ironizaram a declaração agradecendo ao convite.

COMUNICAÇÃO

Nesta sexta, o Departamento de Estado americano informou que tenta acalmar a irritação dos países atingidos pela frase. Além do Haiti, o órgão disse que o embaixador dos EUA em Botsuana foi chamado para consultas.

Em um canal oficial, o Escritório de Assuntos Africanos disse que os EUA "vão continuar a ter relações com a África de forma robusta, entusiástica e vigorosa, promovendo esta relação vital e ouvindo e construindo a confiança e as impressões que compartilhamos com nossos parceiros".

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