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'Brexit' pode extinguir 500 mil empregos

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Em meio aos percalços nas negociações do "brexit", um relatório encomendado pelo prefeito de Londres, Sadiq Khan, estima que o Reino Unido pode perder 500 mil empregos e R$ 220 bilhões em investimentos até 2030 caso não chegue a um acordo com a União Europeia.

O Reino Unido afirma que deixará o bloco econômico até março de 2019 mesmo que não haja um acerto para sua saída -um cenário conhecido como "no-deal". Essa opção, segundo o relatório da firma Cambridge Econometrics, conduziria a uma "década perdida".

"A análise conclui que, quanto mais duro for o 'brexit', maior será o impacto potencial nos empregos, no crescimento e no padrão de vida", disse o trabalhista Khan, aproveitando a deixa para criticar a premiê Theresa May, conservadora.

A condução das negociações com a UE tem se mostrado desafiadora para a primeira-ministra. Foi apenas depois de uma série de concessões, como a promessa de não erguer uma fronteira entre Irlanda e Irlanda do Norte, que ela conseguiu destravar as conversas em dezembro.

A próxima etapa das tratativas deve começar em fevereiro e se debruçar sobre o acordo comercial futuro entre o Reino Unido e o bloco econômico. Sem um entendimento, o governo britânico perderia com o "brexit" o acesso ao mercado europeu, fundamental à sua economia.

O pacto comercial será provavelmente o de mais difícil negociação nesse processo, mas há ainda outros temas espinhosos, como o futuro dos 3 milhões de europeus hoje baseados no Reino Unido -está em debate seu direito a trabalho e residência na ilha.

Por outro lado, o Ministério do Interior da França anunciou na quinta (11) que o número de britânicos pedindo a nacionalidade francesa multiplicou-se por quase dez em três anos. Foram 386 em 2015, 1.363 em 2016 e 3.173 em 2017. O crescimento é relacionado ao "brexit".

SAÍDA SUAVE

Khan fez campanha contra o divórcio da Europa. Ele agora advoga pela permanência do país no mercado comum europeu, que congrega 500 milhões de consumidores. Essa solução é conhecida no jargão britânico como um "brexit suave".

Há um mês, o ministro responsável pelas negociações da saída britânica, David Davis, disse a parlamentares que o governo não tinha um relatório detalhado sobre o impacto econômico de deixar a UE -algo descrito por Khan como "estonteante".

O prefeito londrino então encomendou o relatório divulgado nesta semana, que, segundo ele, "demonstra por que o governo britânico tem de mudar sua abordagem e negociar um acordo que nos permita permanecer no mercado único europeu e na união alfandegária".

Os números do estudo condizem com a previsão feita pelo presidente do Banco da Inglaterra, Sam Woods, a um comitê parlamentar em novembro, estimando em 75 mil a perda de vagas de trabalho apenas em Londres -onde o estudo de Khan prevê o desaparecimento de 87 mil postos.

Em termos políticos, o desafio de Khan mina ainda mais a credibilidade de May, que amarga sucessivos fracassos nos últimos meses -como a perda de sua maioria parlamentar nas eleições do ano passado, que ela antecipou justamente para se cacifar.

Sem a supremacia, ela teve de se coligar com um pequeno partido da Irlanda do Norte, uma solução improvisada e precária.

Nesta semana, ela decidiu reformar seu gabinete para demonstrar força, mas foi desafiada por alguns ministros, que se recusaram a deixar os postos, evidenciando a fragilidade da chefe.

Diante do fluxo constante de notícias sobre os impactos negativos do "brexit" para a economia britânica, Nigel Farage, o líder direitista que esteve à frente da campanha para deixar a União Europeia, sugeriu nesta quinta que o plebiscito seja repetido.

Farage diz acreditar que o resultado seria o mesmo, a vitória do "sim", e que a nova votação daria fim ao debate público em torno do tema.

"Eles vão continuar choramingando durante todo o processo", disse, em entrevista sobre seus críticos. "Acho que, se tivéssemos um segundo plebiscito, o percentual que votaria para sair seria muito maior do que foi da última vez."

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