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Ativistas atacam ator que faz trans em peça

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GUSTAVO FIORATTI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Conhecido por sua atuação no programa de internet "Porta dos Fundos", o ator Luis Lobianco está na mira de grupos ativistas organizados por travestis e transexuais.

Os coletivos contestam a ausência de profissionais transgêneros na equipe de produção e no elenco da peça "Gisberta", em que o ator interpreta a história de uma transexual brasileira assassinada em Portugal em 2006.

O Movimento Nacional de Artistas Trans e o Coletivo T são dois dos que se manifestaram na internet. Também houve protestos presenciais na abertura da temporada do espetáculo no Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte, no último dia 5.

A queixa de falta de representatividade em obras artísticas se insere em um contexto de violência contra o corpo trans, dizem manifestantes.

"Lutamos pela humanização dos nossos corpos e identidades e pela naturalização das nossas presenças nos mais diversos espaços da sociedade", diz manifesto escrito pela atriz e travesti Renata Carvalho, com o grupo do qual faz parte, o Coletivo T.

Carvalho esteve no centro de outra controvérsia no semestre passado.

A peça em que atuava, "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu", teve apresentações canceladas por decisão judicial --revertida cerca de um mês depois. A trama apresenta a versão de Cristo como transexual.

Segundo Carvalho, o problema da peça "Gisberta" é que ela não está isolada de um contexto, em que personagens transgêneros são frequentemente exercidos por cisgêneros (terminologia usada em referência a quem se reconhece sob o mesmo gênero com que nasceu).

Ela cita diversos casos no teatro, na televisão e no cinema. Fala sobre o papel de Rodrigo Santoro, como uma travesti presidiária, no filme "Carandiru" (2003), sobre o papel da atriz Carol Duarte na última novela das nove, "A Força do Querer", de Glória Perez, e sobre o espetáculo "Luis Antonio - Gabriela", da companhia Mungunzá.

"Vários artistas trans já perderam papéis para atores ou atrizes cis por acreditarem que não somos capazes de humanizar aquela história", diz. A contradição que ela aponta é que "um personagem trans, muitas vezes, alavanca a carreira do ator ou da atriz cis, acarretando indicações a prêmios".

Os movimentos equiparam a privação da atividade a exclusão de negros dos palcos, mesmo após o fim da escravidão (e a subsequente utilização da blackface), e a ausência de mulheres no teatro do período clássico.

Carvalho não se incomoda quando cisgêneros interpretam trans em obras que promovem a inclusão de outros ou outras trans, como em peças do grupo Satyros --que defendeu a representatividade de trans nas redes após a polêmica.

OUTRO LADO

Lobianco diz que ficou sem saber como agir após a grita. "A reivindicação era sobre representatividade e empregabilidade, o que é pertinente", diz. "Só que não consegui identificar uma voz falando por esse grupo. A coisa, quando vai para as redes sociais, fica confusa", completa.

Com a virulência, ele diz que leu "de tudo". "Desde essa discussão, que é válida, até ataques pessoais de toda a ordem. Não sei identificar se era alguém do movimento, se eram simpatizantes. Falaram que eu estava me aproveitando, ganhando rios de dinheiro."

Segundo o ator, ele procurou dialogar com ativistas. "Minha primeira decisão foi conversar com o grupo. Uma ativista sugeriu que fizéssemos uma ação conjunta. Eu me dispus a viabilizar, no CCBB, uma apresentação delas depois da peça, ou abrir para elas o debate, mas o grupo não topou", diz.

No dia da estreia, a produção de "Gisberta" também cedeu cinco ingressos para manifestantes que estavam na porta do teatro. O grupo viu a peça e realizou o protesto somente na hora dos aplausos.

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