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Com viagens, Obama busca manter status de líder global

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - No dia seguinte à marcha de grupos racistas em Charlottesville que deixou uma morte, em agosto, o ex-presidente Barack Obama postou uma foto sua com uma criança negra e uma branca e uma frase de Nelson Mandela de combate ao ódio racial.

A mensagem -que se tornou a mais curtida da história do Twitter, com mais de 4,6 milhões de cliques- é um retrato do perfil adotado pelo Obama pós-presidência, com raras manifestações públicas sobre política e um posicionamento mais sutil quando escolhe fazê-las.

Mas se dentro do país, Obama tem preferido a discrição -algo comum entre ex-presidentes americanos-, fora dele, o democrata tem mostrado que pretende manter uma posição de líder global.

O Brasil, nesta semana, se tornará o sexto país visitado por Obama depois que ele deixou a Casa Branca, junto com Alemanha, Itália, Escócia, Canadá e Indonésia. Na maioria deles, o ex-presidente participou de eventos públicos e discursou para plateias geralmente mais jovens.

No exterior, se sentiu também mais à vontade para alfinetar o sucessor. "Não podemos nos esconder atrás de um muro", disse Obama ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, em frente ao Portão de Brandemburgo, em maio. O momento coincidiu com a viagem de Donald Trump à Europa, que se encontraria com Merkel horas depois em Bruxelas.

Nos EUA, Obama se expôs menos nos últimos oito meses. Seu primeiro evento público --e um dos únicos-- foi na Universidade de Chicago, com lideranças jovens, onde arrancou risadas ao perguntar: "O que aconteceu enquanto estive fora?"

Eventos fechados foram mais numerosos, com palestras em Wall Street com cachês que chegam a US$ 400 mil. Segundo levantamento feito pela Bloomberg, no último mês, ele conversou com clientes do banco Northern Trust, do banco de investimentos Cantor Fitzgerald e do grupo de private equity (de compra de participação em empresas) Carlyle Group.

Apesar do barulho causado pela revelação dos valores, dias depois do lançamento do livro no qual Hillary Clinton diz se arrepender de ter recebido para dar palestras em Wall Street, o cientista político Irwin Morris, da Universidade de Maryland, diz não ver problema na prática. "Não é incomum que ex-presidentes sejam bem pagos para dar palestras. O problema é se você estiver planejando ser candidato de novo."

Nos dias que passa em Washington, Obama vai com frequência para o escritório da Fundação Obama, no centro da cidade. O escritório fica a menos de dez minutos da mansão da família no bairro de Kalorama, conhecido pelas embaixadas e residências diplomáticas, numa rua onde hoje há um bloqueio policial que só permite a passagem de moradores.

"O presidente e a Sra. Obama são muito comprometidos com a Fundação Obama e regularmente se encontram com os funcionários e participam de reuniões", disse a diretora-executiva dos programas internacionais, Bernadette Meehan.

Segundo ela, a visita está inserida no projeto de Obama e de sua fundação --que tem entre os principais doadores a Microsoft e a gigante de eletricidade Exelon, ambas com contribuições de mais de US$ 1 milhão--de "escutar líderes jovens" pelo mundo.

"A viagem ao Brasil é parte do tour global da Fundação Obama para ouvir diretamente dos líderes jovens como eles estão fazendo a diferença em suas comunidades", disse.

Em São Paulo, ele se reunirá, na quinta (5), com 11 deles, com idades entre 23 e 36 anos, e fará uma palestra em evento organizado pelo jornal "Valor Econômico" e pelo Banco Santander.

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