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Confissão dá o tom de comédia romântica 'Amor, Paris, Cinema'

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SÓ PODE SER REPRODUZIDA NA ÍNTEGRA E COM ASSINATURA

SÉRGIO ALPENDRE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - É possível imaginar que alguém sairia de casa para ver um filme intitulado "Amor, Paris, Cinema"? É a versão brasileira para "Arnaud Fait Son 2e Film".

Seria tão mais desejável algo como "Arnaldo faz seu segundo filme". Mas se distribuidoras começarem a ouvir críticos, elas podem ir à falência, então melhor deixar quieto.

O fato é que uma tradução literal seria mais fiel ao que o filme é: um projeto parcialmente pessoal, e um pouco confessional, do ator Arnaud Viard, que assina aqui seu segundo longa-metragem como diretor.

O espectador brasileiro deve se lembrar dele no recente e terrível "Paris Pode Esperar", de Eleanor Coppola. Ele é o bon-vivant que seduz Diane Lane durante uma viagem de carro pela França. Não é um ator prolífico, sendo mais conhecido, ao menos até a década passada, dos espectadores da TV francesa.

Nessa espécie de "Oito e Meio" cômico (referência ao filme de Fellini que trata da crise criativa de um cineasta), Viard é inteligente a ponto de brincar até com sua biografia (a série que o fez famoso na vida real, "Que du Bonheur", é mencionada várias vezes), e chega bem perto daqueles que parecem ser seus modelos cinematográficos.

Ele se coloca no filme como um homem de 45 anos que vive um relacionamento em crise com Chloé (Irène Jacob), porque eles não podem ter filhos. Vive também uma crise criativa, pois seu primeiro e único filme já tem alguns anos e o segundo parece em eterna gestação.

Separa-se da esposa e tenta relações casuais com outras mulheres. Enquanto isso, procura se acertar com a gerente do banco, rascunha ideias que poderiam servir para o tão demorado segundo longa e, principalmente, dá aulas num curso para atores, onde se envolve mais seriamente com Gabrielle (Louise Coldefy), uma aspirante a atriz de 21 anos.

Não é só Fellini que é invocado. Se trocássemos a música bobinha de Mathieu Boogaerts por um clássico do jazz, "Amor, Paris, Cinema" poderia passar por uma versão francesa de Woody Allen (diretor que, por sua vez, também havia feito seu "Oito e Meio" em "Memórias"). Há citações explícitas de filmes como "Annie Hall".

Se houvesse uma fagulha de genialidade evidente em sua direção, passaria por um herdeiro de Eric Rohmer. Se como ator fosse mais desajeitado e naturalmente cômico, teríamos um novo Emmanuel Mouret (outro ator e diretor frequentemente comparado tanto com Allen quanto com Rohmer).

Arnaud Viard não é nada disso. Mas se esforça para que seu filme seja ao menos agradável. De fato, jamais ficamos entediados, dificilmente torcemos para que acabe logo, até porque o filme é bem curto, tem 80 minutos.

Algumas ideias são tolas, como o notebook que se transforma em um piano imaginário enquanto ele explode de ideias para o famigerado longa, ou a dança improvisada de todos os alunos do curso.

Mas no geral é um filme agradável, com o carisma de Viard, a presença iluminadora de Irène Jacob e um grande sucesso de Rita Lee para encerrar com uma piscadela para o público brasileiro.

AMOR, PARIS, CINEMA (ARNAUD FAIT SON 2E FILM)

Direção: Arnaud Viard

Elenco: Arnaud Viard, Irène Jacob, Louise Coldefy

Produção: França, 2015, 14 anos

Quando: em cartaz

Avaliação: bom

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