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ATUALIZADA - Sem falar de armas, Trump diz que ataque foi 'pura maldade' e pede união

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Sem fazer qualquer menção à discussão sobre porte de armas, o presidente Donald Trump fez um pronunciamento na manhã desta segunda (2) pedindo união ao país após um atirador matar ao menos 58 pessoas e ferir mais de 515 em um show em Las Vegas, no maior ataque com armas da história moderna dos EUA.

"Em tempos como esses, sei que estamos procurando algum tipo de significado no caos, algum tipo de luz na escuridão. As respostas não vêm facilmente", disse Trump, na Casa Branca, na declaração de cerca de cinco minutos.

Em seu pronunciamento, o presidente classificou o ataque como um "ato de pura maldade" e prestou condolências às vítimas e às suas famílias, cuja dor "não podemos entender" e fez referências à Bíblia e a Deus.

"Rezamos pelo dia em que o mal será banido e que os inocentes estarão a salvo do ódio e do medo", disse Trump, que também usou várias vezes a palavra "união".

"Nossa união não pode ser quebrada pelo mal", afirmou. "Em momentos de tragédia e horror, a América se une em uma só."

Mais tarde, a jornalistas, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse que o dia era de luto e não de discutir política, quando questionada se o presidente considera rever o controle para venda de armas de fogo.

"Há hora e lugar para o debate político. Agora é hora de nos unirmos como país", disse. "Seria prematuro discutir políticas quando não sabemos todos os fatos ou o que aconteceu ontem à noite."

Sanders, no entanto, depois afirmou que Trump segue "um forte apoiador da Segunda Emenda" americana, que prevê o direito dos cidadãos a portar armas.

"Uma das coisas que não queremos fazer é criar leis que não vão fazer com que esse tipo de coisa pare de acontecer", disse Sanders.

O presidente afirmou que visitará Las Vegas na próxima quarta (4), já que ele havia se programado para viajar na terça a Porto Rico, que foi devastada na última semana por um furacão. Ele também ordenou que as bandeiras sejam erguidas a meio mastro. Às 14h40 (15h40 de Brasília), Trump e a primeira-dama, Melania, conduziram um momento de silêncio nos jardins da Casa Branca.

Trump elogiou e agradeceu o trabalho dos policiais e de equipes de emergência, que atuaram rapidamente.

O ataque ocorreu por volta das 22h de domingo (2h de segunda em Brasília), durante um festival de música country na Las Vegas Strip, principal rua da cidade.

O atirador identificado como Stephen Paddock, 64, alvejou a multidão a partir de uma janela do 32º andar do hotel Mandalay Bay, que fica bem próximo ao local do festival, um espaço aberto. Segundo a polícia, que encontrou Paddock morto dentro do quarto, havia dez armas, incluindo alguns fuzis, no local.

A cautela de Trump ao não citar a discussão sobre armas pode ser explicada pelo fato de ainda não estar clara a forma como o atirador conseguiu as armas.

O presidente, contudo, não foi tão cuidadoso ao comentar ataques recentes em outros países.

No início de junho, após terroristas atropelarem e esfaquearem civis em Londres, deixando ao menos sete mortos, Trump gerou uma enxurrada de críticas ao condenar o discurso "politicamente correto" e sugerir que uma legislação mais rígida sobre o porte de armas não é a resposta para combater atentados.

"Vocês percebem que não estamos discutindo armas neste momento? É porque usaram facas e um caminhão!", escreveu Trump em sua conta no Twitter, em 6 de junho.

Em abril, em um discurso em Atlanta a membros da Associação Nacional do Rifle (NRA), o mais importante grupo de lobby pró-armas dos EUA, Trump prometeu que daria a eles o mesmo apoio recebido da NRA durante sua campanha à Presidência.

"Os ataques de oito anos às suas liberdades garantidas pela Segunda Emenda chegaram ao fim", disse Trump. "Eu nunca infringirei o direito do povo de manter e carregar armas."

Entretanto, em 2012, após um atirador matar 20 crianças e seis adultos na escola primária Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, Trump, que era apenas um empresário e celebridade de TV, apoiou as declarações do então presidente Barack Obama de que era preciso mudar a legislação.

"Nenhuma lei -ou conjunto de leis- pode eliminar o mal do mundo, ou prevenir todo ato de violência na nossa sociedade. Mas isso não pode ser uma desculpa para não agir. Certamente, podemos fazer mais do que isso", disse Obama, na época.

Em sua conta no Twitter, Trump escreveu: "O presidente Obama falou por mim e por todos os americanos".

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