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Red Hot Chili Peppers fazem show irregular para fechar o Rock in Rio

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MARCO AURÉLIO CANÔNICO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Eles são os recordistas de público do Rock in Rio —250 mil pessoas na edição de 2001— mas, na noite deste domingo (24), não justificaram tamanha adoração: com um show irregular, os Red Hot Chili Peppers deram um fechamento chocho à sétima edição do festival.

A apresentação até começou bem, com três sucessos lançados neste século que ressoaram fortemente com o público, majoritariamente jovem. "Can't Stop", "Snow (Hey Oh)" e "The Zephyr Song" são bons exemplos do que a banda californiana faz com primor: riffs de guitarra extremamente melódicos, o baixo saltitante de Flea e o vocal ora rap, ora suave de Anthony Kiedis.

"Estou tão feliz por tocarmos no mesmo festival que o Sepultura. Eu adoro o Sepultura", disse Flea na primeira das muitas vezes em que se dirigiria aos fãs.

Fundadores da banda, ele e Kiedis (ambos com 54 anos) são o centro das atenções, especialmente desde a saída do talentoso guitarrista John Frusciante. Seu substituto, Josh Klinghoffer, 37, não se saiu mal, mas não tem a mesma estatura do autor de todos os riffs memoráveis da banda, que é completada pelo confiável baterista Chad Smith, 55.

Voltando ao Brasil pela sétima vez (1993, 1999, 2001, 2002, 2011, 2013) e ao Rock in Rio pela terceira, o RHCP trouxe a turnê de seu disco mais recente, "The Getaway" (2016). Três músicas dele entraram: "Dark Necessities", "Go Robot" (a melhor delas) e "Goodbye Angels". O resto do repertório teve sucessos dos álbuns "By the Way" (2002), "Californication" (1999) e "Blood Sugar Sex Magik" (1991), entre outros.

Um bom momento veio com a mistura de "I Wanna Be Your Dog", dos Stooges, com "Right on Time". Conhecida por gostar de improvisar jams, a banda o fez logo na abertura e, depois, alongando a entrada de canções como "Californication" (em versão mais lenta, causando estranhamento na plateia) e "Give it Away".

Depois de uma primeira metade dedicada às canções mais recentes, o quarteto emendou três canções de "Blood Sugar Sex Magik", o disco que os catapultou ao estrelato internacional. "Sir Psycho Sexy" e "The Power of Equality" são o típico RHCP dos anos 1990: rap rock funkeado, com vocais meio amalucados. A primeira ainda veio emendada com uma versão acelerada de "They're Red Hot", de Robert Johnson.

Não era exatamente o que a juventude do domingo queria ouvir, e o clima ficou disperso —alguns começaram a tomar o rumo da saída. Mas a terceira canção executada chamou todo mundo de volta: a balada "Under the Bridge", sempre um momento de cantoria coletiva.

A ela seguiu-se "By the Way", talvez a melhor das canções do Red Hot neste século, com sua alternância de ritmos e de vocais. O público se reenergizou, mas a banda deixaria o palco em seguida, sem maiores delongas.

"Moço, o Rock in Rio vai acabar assim?", perguntou à reportagem uma jovem indignada (e um tanto bêbada). "Não é possível." Não era mesmo: os Chili Peppers voltariam para o bis e para um agradecimento final. "Estamos muito gratos de ter a chance de tocar para vocês, Brasil. Sentir os corações e a energia de vocês enche o meu coração de alegria. Obrigado por terem vindo nesse espírito de paz e amor", disse o baixista. Kiedis faria manifestação semelhante ao final.

A conclusão teve "Goodbye Angels" —uma das novas, que começa meio banal, mas termina de modo interessante— e, é claro, a indefectível "Give it Away". Esta, no entanto, veio numa versão sem pressão, muito aquém da original. As 100 mil pessoas que aguentaram até a madrugada de segunda (25) mereciam algo mais empolgado e empolgante.

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