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Aerosmith se diverte em show para público com jeito de domingo em SP

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ADRIANA KÜCHLER

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em sua passagem pelo Rio, o vocalista da banda americana de hard rock Aerosmith, Steven Tyler, 69, quebrou o protocolo do artista gringo e chamou a atenção tanto no palco quanto fora dele: andou de bike pela praia de Ipanema, cantou com artistas de rua na orla, fez selfies com os praieiros, elogiou e comprou artesanato dos hippies.

Sem um calçadão para chamar de seu em São Paulo, Tyler tinha apenas o palco para impressionar. A pressão era ainda maior, já que esta é a chamada "Aerovederci Tour", suposta turnê de despedida da banda de 47 anos (alguém acredita?). O vocalista sabe dominar o palco como poucos e não deixou a peteca cair neste domingo (24), no Allianz Parque.

Mas um público morno, que só se animava com os hits e nem se lembrou de pedir bis, fez a banda deixar o local depois de 1h40 de show com uma música externa entrando forte —sem direito a um chorinho. Os fãs (quem sabe, talvez, porque a banda esteve por aqui há tão pouco tempo) foram embora imediatamente, sem pedir "mais um".

No terceiro dia do São Paulo Trip, festival que trouxe algumas das principais atrações do Rock in Rio à cidade, Tyler e a banda de Boston pareciam se divertir no palco como se estivessem no calçadão de Ipanema. Junto com o guitarrista Joe Perry, com quem ganhou nos anos 1970 o apelido de "toxic twins" (gêmeos tóxicos), o vocalista comandou um show com cara de retrospectiva, passando por várias fases do grupo.

Estava claro que aquele não era um evento exclusivo para agradar os fãs, só com os hits óbvios (que estavam lá, é claro), mas uma apresentação que parecia contar a história e os gostos da banda.

Na suposta despedida, os senhores sessentões tentaram fazer um agrado para as várias gerações: misturaram clássicos das raízes hard rock da banda nos anos 1970 ("Walk this Way", "Dream On", "Sweet Emotion"), toques de blues e as baladas românticas que fizeram o Aerosmith ter seu segundo auge, nos anos 1990, nos tempos áureos da MTV ("Crying", "Crazy"), além de apostar em ótimos covers, como "Come Together", dos Beatles, que já é praticamente parte do repertório.

Assim como Jon Bon Jovi na noite anterior, Tyler, com sua figura cativante (e seu look com bigodinho, cabelos esvoaçantes, lenços e uma overdose de acessórios), tem hoje de se esforçar muito mais para ostentar o apelido de "demon of screaming" (demônio do grito), já que o vozeirão não sai com a potência constante de outrora.

Mas o problema (assim como o de Jon) se resolve facilmente: os vocais são frequentemente complementados pelo resto do grupo —ou pelo público, naqueles coros em que a voz do cantor desaparece mesmo que ele não queira.

Steven Tyler cantou, dançou, tocou piano e gaita, ensaiou um português selvagem, chamou fã para o palco. Estava na sua praia, e boa parte do público também. Outros tantos, no entanto, pareciam apenas pensar que hoje é domingo, amanhã é segunda-feira, dia de labuta, e é bom não voltar tarde pra casa.

ABERTURA

O show de abertura, com os roqueiros ingleses do Def Leppard, pareceu uma combinação bem mais acertada que a da noite anterior (The Kills +Bon Jovi).

No público, era possível identificar vários fãs com camisetas da banda e, mesmo os que estavam ali só para ver o Aerosmith, se animaram com músicas como "Pour Some Sugar on Me", "Rock of Ages" e "Let's Get Rocked" e com as performances do guitarrista descamisado Phil Collen e do baterista que só tem o braço direito, Rick Allen.

O São Paulo Trip termina na terça-feira (26) com shows de Guns N' Roses, Alice Cooper e Tyler Bryant & The Shakedown.

Set list - Aerosmith em São Paulo

"Let the Music Do the Talking"

"Love in an Elevator"

"Cryin'"

"Livin' on the Edge"

"Rag Doll"

"Stop Messin' Around"

"Oh Well"

"Crazy"

"I don't Want to Miss a Thing"

"Mama Kin"

"Come Together"

"Sweet Emotion"

"Dude Looks Like a Lady"

"Dream On"

"Walk this Way"

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