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Moradores da Rocinha e entidades criticam demora para ação militar

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LUCAS VETTORAZZO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Na Rocinha, a rotina voltava aos poucos a uma relativa normalidade no início da tarde, quando blindados do Exército entraram na favela para apoiar operações da polícia. Na Via Apia, principal entrada da favela, alguns poucos comércios estavam abertos e uma grande quantidade de pessoas circulava no local.

O pedreiro João Silva —os nomes nesta reportagem são fictícios, para preservar os moradores—, 51, reclamava da presença ostensiva das forças de segurança na parte baixa da comunidade.

Os conflitos do início da manhã ocorreram na parte alta do morro. Traficantes se refugiaram na mata durante confronto com homens do Bope. Tiros foram ouvidos em bairros vizinhos da favela, como Jardim Botânico, bairro nobre da zona sul do Rio.

"Por que não mandaram toda essa gente [militares] no domingo [17]? Agora todo mundo já se escondeu ou foi embora. Esse tanto de gente fardada aqui embaixo só serve pra televisão", disse ele. Silva explicou o clima de conspiração que tomou os traficantes que permaneceram na favela nos dias seguintes à tentativa de invasão.

"Os caras [traficantes] invadiram minha casa duas vezes já porque achavam que eu tava fechado com os outros", disse. Natural do Ceará e morador há 14 anos da favela, ele pensa em sair da favela. "Tem gente passando fome porque tá com medo de sair de casa". Perguntado se a UPP não melhorou a vida das pessoas na favela, ele disse que não. "UPP é apenas uma palavra. Onde eu moro, passam dois PMs por mês", disse.

O estudante Thiago Souza, 18, foi visitar a mãe que mora na favela pela primeira vez desde domingo, quando começaram os confrontos. "É muito simples para os traficantes deixarem a favela. O erro do governador foi esperar tanto tempo pra fazer esse cerco. Muitos dos caras [bandidos] deixaram a favela como se fossem moradores ou trabalhadores", afirmou. Às 17h45, durante a incursão do exército, duas rajadas de tiros foram ouvidas dentro da favela, próximo a estrada da Gávea, via que corta a favela e termina no bairro da Gávea, area nobre do Rio. Além desses disparos, nenhum outro foi registrado na favela.

Gil, 33, integrante da igreja Assembléia de Deus, circulava na parte baixa do morro com uma bíblia na mão. "Estamos tentando organizar um culto hoje à noite porque é a hora que a comunidade mais precisa", disse ele. "Minha família tá lá no alto da favela sem conseguir descer".

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