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Com artistas e imigrantes, festival 'Na Dança!' celebra primavera étnica

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IARA BIDERMAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um cardápio eclético de danças e músicas será oferecido no Palacete Tereza Toledo Lara/Casa de Francisca, centro de São Paulo, para celebrar a primavera árabe, africana, latino-americana, grega, balcânica, indiana, espanhola, japonesa.

De sexta (22) a domingo (24), o festival "Na Dança!" reúne profissionais já estabelecidos no Brasil e recém-chegados para apresentações musicais, aulas-show e aulas de danças étnicas com os chamados "refugiados" -termo que os organizadores do evento preferem não usar.

"Prefiro chamar de imigrantes, temos que parar de olhar para essas pessoas como gente que chega fugindo e invadindo a cidade e começar a tratá-las como colaboradores, que estão trazendo novidade, diversidade e coisas novas para aprendermos", diz Betty Gervitz, criadora do evento.

Gabriel Levy, da banda Mutrib e coordenador musical do "Na Dança!", aproveita o mote para lançar um "Somos todos imigrantes!". Reforça o argumento elencando as origens de seus antepassados, vindos da França e da Bessarábia, entre outros.

"A gente quer desconstruir essa palavra refugiado. Porque se alguém me chama para dar uma aula de dança africana, vai me contratar como refugiado ou como artista? Dizer 'artista refugiado' não tem nada a ver, por que não 'artista internacional?", pergunta o angolano Erme Panzo, 27.

Panzo, dançarino, poeta e engenheiro elétrico formado em Cuba, está no Brasil há dois anos. Ele é um dos professores do cardápio de aulas de danças étnicas do festival. No sábado (23) de manhã ele ensinará Algumas danças bantus.

"A região bantu é muito extensa e cada país tem uma dança diferente: os zulus, com uma cultura de caçadores, usam mais saltos; os da África subsaariana mexem mais o quadril; a parte nigeriana-congolesa é mais pé no chão e a do Gabão tem mais movimentos de mãos, como se tivessem passando um legado para cada geração. Vou ensinar um pouco de tudo isso", diz.

Sua aula será com música ao vivo, executada por três percursionistas do Togo. Ines Queme, autointitulada "expatriada" e nascida em Moçambique, também dará uma aula com música ao vivo.

Ela vai ensinar a dança "marabenta". "É o primeiro ritmo que quem chega em Moçambique tem contato", afirma.

Surgida na década de 1930, a marabenta foi uma espécie de denominador comum entre as diferentes etnias do país durante a colonização portuguesa, segundo Queme. A dança, com muito movimento de quadril e passos que lembram a salsa, foi adotada pela nova geração de moçambicanos. "Colocaram um pouco de groove e hoje toca em todas as baladas", diz Queme.

Durante os preparativos para o festival, Queme descobriu que o passo básico da marabente é quase o mesmo de uma dança tradicional boliviana -que será o tema da aula de Raissa Oblitas. Finalizando o elenco de "artistas internacionais", como prefere Panzo, o libanês Mohammad Al Jamal dará um aula de dabke, dança circular tradicional em todo o Oriente Médio, e outras danças folclóricas de seu país.

Profissionais nascidos no Brasil, mas com um trabalho consolidado de pesquisa em danças étnicas vão dar as aulas-show do evento. A abertura, na sexta (22), às 20h, terá a banda Mawaca e, ensinando e puxando as danças, Gervitz, idealizadora do evento e as bailarinas Cintia Kawahara (danças do Japão), Deborah Nefussi (Espanha), Mariana Paunova (Bulgária) e Sonia Galvão (ìndia).

No sábado (23), a banda Mutrib, com a participação especial de Vesna Bankovic, cantora lírica da Osesp nascida na Sérvia, toca com os professores Mario Jadran, da Croácia, Paulo e Selma Sertek, da Grécia, além de Gervitz.

No domingo (24), André Trindade e Sonia Galvão ensinaram uma dança balinesa. Após a aula, Galvão, Kawahara e Nefussi farão uma apresentação. O festival será encerrado com um jam de música latina e rodas com os professores do evento.

Além das aulas, a programação do festival conta com shows de música na Casa de Francisca. Na sexta, às 22h, Gabriel Levy, Tomas Howard e Toninho Carrasqueira apresentam "Terra e Lua", com participação especial das cantoras Fortuna e Oula Al Saghir e da contadora de histórias Regina Machado.

No sábado, a Orkestra Bandida toca no horário do almoço (12h30 Às 15h30) e a orquestra Mundana Refugi, criada por Carlinhos Antunes com refugiados do mundo todo, toca à noite, a partir das 22h.

NA DANÇA!

QUANDO de sex. (22), às 20h, a dom. (24), às 14h

ONDE Palacete Tereza Toledo Lara/Casa de Francisca, r. Quintino Bocaiuva, 22, tel. (11) 3052-0547 e (11) 97175-7607

QUANTO de R$ 50 (aula avulsa) a R$ 305 (pacote com todas aulas)

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