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Jorge Drexler faz 'guerrilha da empatia' em novo álbum

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TÁSSIA KASTNER

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Eu não sou daqui, mas tu tampouco és", canta o uruguaio Jorge Drexler em "Movimiento", música de abertura de "Salvavidas de Hielo", disco que começa a ser vendido nesta sexta-feira (22) nas formas física e digital.

Não é a primeira vez que Drexler, vivendo há duas décadas em Madri e com 13 álbuns lançados, trata de migração em suas composições. Mas o tema rejuvenesce em um 2017 em que o presidente americano Donald Trump planeja construir um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México e impõe barreiras à entrada de estrangeiros de países muçulmanos.

"Eu tinha escrito canções mais diretas, mas queria um ângulo diferente para falar sobre esse assunto trágico. Um dia havia deixado meus filhos na escola, entrei no carro e liguei o rádio. O entrevistador pedia a um escritor cujo nome não escutei que falasse sobre seu último livro, que tratava de 'acontecimentos migratórios'. Desliguei na hora. Encontrei nessa expressão uma maneira de falar de migração que não fosse panfletária", explica o músico em entrevista concedida por telefone desde Madri.

Esse não é o único assunto que volta nas composições mais recentes. "Eu penso que faço coisas novas, mas acabo voltando às mesmas duas ou três canções. A personalidade artística está muito vinculada ao universo pessoal, e ele é bastante fechado. Você repete coisas", explica.

Nas repetições estão "Telefonía" (https://youtu.be/Wn4neB3uV6c), na qual o uruguaio celebra as várias formas de comunicação que trazem as mensagens de pessoas queridas, seguida de "Silencio" (https://youtu.be/HyBu2KEe2pI), sobre os poucos momentos de silêncio que nos restam em meio à balbúrdia de um mundo hiper conectado.

As duas foram lançadas em agosto, em apresentações ao vivo por Facebook e Instagram, redes sociais que Drexler frequenta de forma ativa. O disco na íntegra será apresentado da mesma forma às 17h desta quinta (21), quando ele completa 53 anos.

"Não foi uma casualidade que lancei primeiro 'Telefonía', que é sobre alegria, e depois 'Silencio'. A realidade não é linear. Muitas vezes você odeia o telefone, e outras não consegue viver sem."

Também para fazer oposição aos excessos e à sonoridade que vinha imprimindo a seus trabalhos anteriores, as novas músicas foram gravadas apenas com violões (e guitarras).

Drexler avisa, porém, que isso não se repetirá nos shows. "O disco é de laboratório. É impossível reproduzi-lo ao vivo." A turnê começa por Montevidéu no dia 4 de outubro, mas só deve chegar ao Brasil em abril de 2018, em data não confirmada.

Com a música "Pongamos que Hablo de Martinez" (https://youtu.be/8wSPUDBzZFc), o uruguaio agradece ao conterrâneo Joaquín Sabina por ter lhe incentivado a ir para Madri. Questionado se vive uma espécie de "volta à casa", Drexler diz que a combinação dos elementos ocorreu de forma casual.

"Escrever não é uma atividade consciente. Esse disco foi composto com uma presença muito grande do acaso. Estou começando a olhar para ele agora como uma paisagem que já passou, que se vê pelo espelho retrovisor."

Uma opinião sobre o novo trabalho, no entanto, ele já tem clara. "Sem me dar conta, meu disco toma partido pela guerrilha da empatia. O fato de serem diferentes não torna as coisas irreconciliáveis. É a militância pela empatia."

SALVAVIDAS DE HIELO

ARTISTA Jorge Drexler

LANÇAMENTO 22/09, pela Warner Music Espanha

QUANTO R$ 39,90 (CD); também disponível nas plataformas digitais como Spotify, Deezer e Apple Music

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