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CET sob Haddad pediu de furadeira a ar-condicionado para mitigar tráfego

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FABRÍCIO LOBEL

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para liberar a instalação ou a reforma de empreendimentos de grande porte em São Paulo, como shoppings, condomínios e universidades, a prefeitura precisa, pela legislação, exigir das empresas contrapartidas para atenuar os impactos no trânsito.

Sob a gestão Fernando Haddad (PT), no entanto, a CET aprovou estabelecimentos em troca de equipamentos sem nenhuma relação direta com a circulação de veículos e pedestres na vizinhança das regiões atingidas.

Entre os itens pedidos para mitigar os transtornos ao tráfego estiveram furadeiras, ar-condicionado, empilhadeiras, impressora serigráfica, aparelhos celulares e até a reforma de prédios da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e da SPTrans (empresa que cuida do transporte).

Levantamento da Folha em quase 200 certidões emitidas desde 2013 identificou pelo menos 12 casos do tipo --que, segundo especialistas, prejudicam diretamente as áreas que recebem esses polos geradores de tráfego.

Todos ocorreram na gestão Haddad, para quem qualquer benefício à CET, na prática, significa uma melhoria ao trânsito (leia texto nesta pág.).

SEMÁFOROS E OBRAS

Entre as exigências comuns para mitigar os impactos provocados por grandes empreendimentos estão a manutenção ou troca de semáforos, obras viárias, criação ou iluminação de faixas de pedestres, sinalização e instalação de câmeras de tráfego.

Nos casos inusitados identificados pela reportagem estão a modernização do sistema de ar-condicionado da central de operações da CET na rua Bela Cintra -exigida em troca de obras do Hospital Santa Catarina- e a reforma do subsolo e da sobreloja de prédio da SPTrans no centro -pedida em troca de obra do Hospital Nove de Julho.

Para mitigar os impactos no trânsito da implantação de dois dois prédios do condomínio Jardim das Perdizes (zona oeste), foi exigido do empreendedor a reforma de dois prédios da CET, no Tatuapé (leste) e Vila Leopoldina (oeste).

"É um absurdo, porque muita gente vai ser atraída pelos prédios novos. O meu condomínio está praticamente desabitado, imagina quando estiver cheio. O trânsito com certeza vai piorar", afirma Danilo Hipólito, 41, engenheiro e morador de um desses novos empreendimentos.

Seu novo condomínio, com duas torres de 30 andares e oito apartamentos por andar, teve como única contrapartida a reforma das duas sedes regionais da CET, uma delas a 11 km de distância do prédio.

Segundo Hipolito, há dez anos, a estrutura viária daquela região é praticamente a mesma. Enquanto isso, os congestionamentos crescem.

O arquiteto e urbanista Kazuo Nakano afirma que as requisições citadas são claras distorções do objetivo original da lei municipal que regula a licença dos polos geradores de tráfego.

"A cidade de São Paulo não tem capacidade de analisar os impactos de prédio ou empreendimento ao trânsito local. Diante disso, os pedidos de compensação são desmedidos, sem rigor técnico", diz.

A CET já chegou a ser questionada na gestão Haddad sobre desvio de finalidade na aplicação do dinheiro arrecadado com multas de trânsito.

Uma liminar chegou a barrar a utilização dessa verba para custeio --pelo fato de a legislação prever os recursos para educação, policiamento e engenharia de tráfego.

Uma ação de improbidade foi movida pela Promotoria contra Haddad, mas, já sob Doria, a Justiça autorizou a aplicação do dinheiro para pagar salários e serviços.

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