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Deslizamentos após terremoto no México dificultam acesso

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DIEGO ZERBATO E ADRIANO VIZONI, ENVIADOS ESPECIAIS

CHIAPAS, MÉXICO (FOLHAPRESS) - Os 278 km que separam a capital do Estado de Chiapas, Tuxtla Gutiérrez, de Juchitán, cidade mais afetada pelo terremoto que atingiu o México na noite de quinta (7), são pontilhados de povoados de não mais de 2.000 pessoas, separados por uma sequência de campos verdes, em sua maioria terras do Estado para fins de reforma agrária ainda não entregues. Nesse trecho, as casas parecem ter resistido mais que a estrada.

Três dias depois do abalo sísmico de magnitude 8,1 que deixou ao menos 90 mortos, a reportagem passou por uma sequência de deslizamentos de terra e pedras. Algumas tão grandes que cobriam os dois lados da pista, obrigando os motoristas a usarem um caminho sob a vegetação à beira de um precipício.

Por outro lado, as casas de tijolo sobre tijolo e vergalhões simples e inclusive algumas de pau-à-pique se mantinham de pé ao lado das ruas de terra batida. Os únicos vestigios do tremor foram telhas caídas e rebocos caídos. A cena se repete em Tuxtla Gutiérrez, salvo em seus prédios históricos, que precisarão de anos de restauração.

O aeroporto da cidade, que serve a todo o Estado, teve parte da parede de vidro estilhaçada na quinta. Neste domingo (10), o vidro já havia sido trocado. Enquanto isso, uma lona preta ainda cobre a área de imigração do aeroporto da Cidade do México, também destruída pelo tremor.

Apesar dos danos reduzidos, alguns moradores continuam dormindo nas ruas por medo das réplicas, que continuam na proporção de uma por hora. A mais forte delas nas últimas 24 horas, de magnitude 5,3, foi registrada às 4h (6h em Brasília).

Os moradores, porém,deverão ter dificuldades para ficar fora de casa.

Densas nuvens cobrem a região desde o início da manhã e, no fim da tarde, caiu a forte chuva prevista. Com dois furacões perto da costa mexicana, Chiapas e o Estado vizinho Oaxaca, os dois mais afetados pelo terremoto, têm previsão de chuva entre 75 e 150 mm diários até esta terça-feira (12).

Os povoados à beira da estrada, que ficam abaixo do nível da pista, já haviam montado barreiras com sacos de areia para tentar conter os alagamentos.

Em Tuxtla Gutiérrez continuavam as campanhas de arrecadação de alimentos, água e remédios para as vítimas do terremoto. Uma loja chegou a oferecer de presente uma camiseta regata em troca de doações. No rádio também se pede sangue para os feridos.

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