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Lab coloca simplicidade da roupa da periferia na SPFW

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No backstage, ao entrevistar Evandro Fioti, idealizador da Lab ao lado de seu irmão e cantor Emicida, ele conta que essa é sua coleção mais comercial até o momento. As peças são, de fato, simples. O que vem com elas, no entanto, é bem diferente do que costumamos ver na semana de moda paulistana.

A simplicidade da qual estamos acostumados é mais distante, europeizada, até. Roupas minimalistas não tem vez na coleção a LAB --isso porque elas não têm espaço na periferia. E é essa moda que vem do gueto que faz a marca dos irmãos tão especial.

"Através das metáforas de voo, escrita e canto, os três pilares da coleção, nós fizemos peças modernas que trazem ao nosso público uma sensação de liberdade", explica Fióti.

O nome desta coleção é "Avuá", uma alusão ao voo dos pássaros e ao futuro que isso representa. Liberdade é a palavra mais importante para falar deste desfile. Liberdade de ser, de ter, de vestir o que quiser. "Essas foram as possibilidades que o hip hop trouxe para as periferias de todo o mundo", explica.

São calças largas, shorts e blazeres de moletom, parkas de náilon com estampas de nuvens e jaquetas jeans com pinturas de penas. Tops transparentes com aplicações de patches, croppeds e até um ensaio de beach e underwear cruzaram a passarela. Tudo com um styling que vem da rua, com correntes de ouro e grandes pingentes, brincos com o logo da marca, mochilas douradas e bolsas que lembram sacolas de feira com a estampa da coleção.

Nada é novo, mas, ao mesmo tempo, é. Enquanto Emicida e Fióti contavam com a direção criativa de João Pimenta, que ajudou a marca a chegar em um patamar alto na SPFW, as peças tinham um DNA fashionista bem marcante.

As peças são simples, nada novo, mas o clima que a marca de Emicida e Evandro Fíóti coloca na passarela é bastante complexo. Ao chamar cantores como Rael, Drik Barbosa, Kamau e Coruja, os irmãos --que também caminharam na passarela cantando versos de rap--, se firmam como um dos poucos representantes da moda não elitizada do evento. Um sopro de ar fresco bem vindo --vide os aplausos de pé poucas vezes vistos durante a SPFW.

MAQUIAGEM

A LAB escolheu Marcos Costa para fazer a beleza de seu desfile na SPFW. O beauty artist foi só elogios quanto à nova coleção. Para mim é a coleção mais bonita. A roupa está de verdade.

Para compor o visual, Costa se inspirou na beleza das meninas da periferia, que são o norte da marca. Ela é uma menina poderosa, que usa um make só corrigido, sem pó, afirma, descrevendo os produtos usados para a maquiagem: base, trio de sombras terrosas, batom cobre e batom líquido metalizado na cor cobre também. Para fechar, máscara usada só nos cílios superiores. O cabelo vem natural, com muito volume.

Maquiador oficial da natura, Costa levou ao backstage um produto que ainda será lançado pela marca: um óleo detox, da linha Chronos, que foi usado na pele dos modelos masculinos. A beleza tem que ser assim, com pele transparente e brilho, finaliza.

O destaque ficou nas unhas: ultra longas, coloridas e decoradas, elas foram inspiradas nas joias da cantora de rap Drica Rizzo. Todas as unhas postiças levam pedrarias e piercings e são no formato stiletto e bailarina.

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