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Burocracia e condição de rio travam buscas 23 dias após naufrágio no rio Amazonas

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DHIEGO MAIA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A burocracia e as condições inóspitas do rio Amazonas -de forte correnteza e visibilidade zero- dificultam o resgate de nove desaparecidos em um naufrágio também ocorrido no Pará, no dia 2 deste mês.

O acidente entre um comboio de balsas (da Transportes Bertolini Ltda) e um navio cargueiro (da Mercosul Line) aconteceu entre os municípios de Óbidos e Oriximiná, e até agora não tem desfecho.

Com o choque, algumas das balsas naufragaram e continuam no fundo do rio. O Corpo de Bombeiros estima que a embarcação esteja a 60 metros de profundidade. Ela só foi encontrada cinco dias depois do naufrágio com o uso de um sonar (equipamento de rastreamento) da Marinha.

Todos os desaparecidos eram tripulantes das balsas e trabalhavam no transporte de grãos para a empresa Bertolini, especializada no carregamento de commodities. Apenas duas pessoas sobreviveram.

As famílias das vítimas acreditam que as vítimas estejam aprisionadas no interior da embarcação, uma vez que nenhum corpo foi encontrado boiando no Amazonas depois de 23 dias do naufrágio.

Sem ter respostas das empresas envolvidas no acidente, os familiares denunciaram descaso durante as operações de resgate. "A gente não consegue nem viver o luto porque ainda não enterramos ninguém", afirmou o servidor público Weverson Almeida, 36, que virou o porta-voz das famílias das vítimas.

Almeida é primo de Tássio Vânio Rêgo Sena, 39, que trabalhava como piloto da embarcação e está entre os nove desaparecidos.

Para o Corpo de Bombeiros, só uma grande estrutura montada no rio será capaz de içar a embarcação e assim desvendar se os corpos estão mesmo no fundo do rio. "A profundidade é muito elevada e inviabiliza o trabalho de nossos mergulhadores", diz o subcomandante Augusto Lima.

Para agilizar o processo de retirada da embarcação do fundo do Amazonas, as famílias vão ingressar na Justiça com uma ação judicial, disse Almeida.

Eles também contestam um plano de resgate apresentado pela Bertolini. A empresa estimou começar os trabalhos de retirada das balsas do fundo do rio apenas em outubro. "Não aguentamos mais esperar todo esse tempo", afirmou Almeida.

A Bertolini explicou, por meio de sua assessoria jurídica, que o prazo foi estipulado para localizar empresas especializadas nesse tipo de serviço no exterior pela ausência de companhias do ramo no Brasil.

A empresa afirmou ainda que vai se reunir novamente com representantes das famílias das vítimas do naufrágio nesta segunda-feira (28) em Santarém para negociar um novo plano. O encontro será intermediado pelo Ministério Público Federal do Pará e pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

A Mercosul Line disse que o navio envolvido no acidente já voltou a navegar e que sua "preocupação imediata continua sendo com os tripulantes desaparecidos."

SEGUNDO NAUFRÁGIO

Nesta última terça (22), um segundo naufrágio registrado nas águas do rio Xingu, em Porto de Moz, também no Pará, matou ao menos 23 pessoas, entre tripulantes e passageiros.

O navio fazia transporte clandestino de passageiros, segundo o governo do Pará. Um passageiro ainda é procurado pelo Corpo de Bombeiros.

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