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ATUALIZADA - Confrontos na Índia após condenação de líder espiritual matam ao menos 29

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pelo menos 29 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas no norte da Índia durante violentos protestos nesta sexta-feira (25), após um tribunal condenar o líder de um grupo espiritual por estupro.

O guru Gurmeet Ram Rahim Singh foi considerado culpado de estuprar duas seguidoras em 2002 na sede de seu movimento Dera Sacha Sauda, na cidade de Sirsa.

Milhares de pessoas se reuniam na localidade de Panchkulano, no Estado de Haryana, quando o tribunal declarou o líder culpado. A decisão desagradou manifestantes, que atacaram estações de trem, postos de combustível e veículos de emissoras de televisão. Policiais usaram gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar a multidão.

No Estado de Punjab, um toque de recolher foi imposto em três distritos considerados redutos do grupo Dera Sacha Sauda.

"Houve violência em algumas cidades em Punjab, nós estamos tomando todas as medidas para manter a paz", disse o ministro chefe do Estado, Amarinder Singh.

Protestos aconteceram também em Nova Deli e no Estado vizinho de Rajasthan.

Aproximadamente 15 mil soldados indianos haviam sido mobilizados para reforçar a segurança e conter os manifestantes. Segundo autoridades, cerca de mil membros do grupo Sacha Sauda foram detidos.

Singh negou as acusações e, em uma mensagem de vídeo, pediu a seus simpatizantes para que fiquem pacíficos. Um de seus advogados, entretanto, afirmou que os seguidores do guru têm "todo o direito" de expressarem a sua indignação.

O guru foi levado sob custódia e permaneceria em uma prisão na cidade vizinha de Rohtak, no Estado de Haryana, até a sua audiência de sentença na segunda-feira (28).

OSTENTAÇÃO

Com seu gosto por roupas chamativas e muitas joias, o chefe espiritual de 50 anos lidera a seita Dera Sacha Sauda.

Em 2002, o ex-primeiro-ministro indiano Atal Biahri Vajpayee recebeu uma correspondência anônima na qual uma mulher acusava o guru de tê-la estuprado tanto ela quanto outra devota. O órgão de investigação, entretanto, precisou de anos para encontrar as supostas vítimas, que só apresentaram queixa em 2007.

Em 2015, o líder foi acusado de ter incentivado 400 de seus discípulos a se castrarem para ficarem mais próximos dos deuses.

As atividades de Gurmeet Ram Rahim Singh também enfureceram outros chefes religiosos da Índia, principalmente os sikhs, que consideram que o guru insulta a fé.

Em Penjab, de maioria sikh, foram organizadas manifestações em 2015 por causa da aparição de Singh em um filme chamado "MSG: o mensageiro de deus", onde ele atuou fazendo milagres e pregando ante milhares de fiéis.

Nesta sexta, seguidores de Singh concentrados em Panchkula manifestaram seu apoio ao guru. Alguns creditavam ao líder a superação de seus problemas pessoais.

"Fiz parte do movimento Dera Sacha Sauda durante duas décadas e, em todo esse tempo, não bebi nem uma gota", disse Gajendere Singh, 60.

O guru, que conta com inúmeros seguidores em Haryana, onde dirige uma corrente espiritual, afirma ter milhões de adeptos no mundo todo.

Tais seitas têm muitos seguidores na Índia. Não é incomum que seus líderes tenham milícias privadas e armadas protegendo-os.

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